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Exposição fotográfica revela tragédia humana no Brasil e na Europa
Laura Amélia Damous em traje de luzes
Editorial

Edição 31

Laura Amélia Damous em traje de luzes

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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Temos insistido na tônica da necessidade de enfatizar as várias vertentes
poéticas das novas gerações de poetas maranhenses, intertextualizando suas peculiaridades, em termos de dicções, no sentido de estabelecer o viés da criação literária que impõe valor, frescor e vigor a este momento que tem compromisso explícito e implícito com o texto experimental.

Hoje já é possível começar a fazer esse mapa, compor esse desenho, levando sempre em consideração suas relações com a tradição quer local, nacional ou internacional. Trata-se de um texto experimental em vias de se consolidar como novidade, navegando naquelas águas do tornar novo.

Por este prisma é que chegamos à obra poética de Laura Amélia Damous, conscientes de que os textos em que ela se inscreve no atual panorama da literatura, por si mesmo dialogam não só com os leitores, mas também com as várias vozes da crítica literária brasileira, bem como com alguns outros textos com os quais são afins por freqüência, convergência, confluência ou recorrência, colocando-se no aceso do discurso poético contemporâneo mais conseqüente.

É bom conferir algumas opiniões que ilustram o seu último livro, Cimitarra, obra publicada em 2001 e que se compõe de sua poesia reunida, como síntese dos poemas das obras anteriores da autora: Brevíssima Canção do Amor Constante, poesia, 1985; Arco do Tempo, poesia, 1987 e Traje de Luzes, poesia, 1993, acrescidos de novos poemas.

Inscrevendo-se numa genealogia de raros assinalados nesse campo, onde há poucos marinheiros sobreviventes no mar vasto e vário, percebe-se o quanto é difícil o ofício de pilotar as pequenas embarcações. Nessa família de poucos ascendentes e descendentes se inscrevem a poeta grega Safo, o persa Omar Khayyam, e poetas mais próximos dos dias atuais, Emily Dickinson e Rainer Maria Rilke.

Essa opção por poemas pequenos intui uma responsabilidade redobrada sobre o poético e inclui, por isso, Laura Amélia Damous entre os melhores poetas maranhenses da atualidade.

A leveza e a simplicidade, como busca de releitura de difíceis ícones poéticos, recompõem uma tradução moderna de uma maneira singela de antigas verdades. Ela aqui, em pequenos frascos, como se em relicários, vai guardando raros perfumes, verdadeiras miniaturas de conteúdos discretamente exóticos e voluptuosos. É uma tarefa ousada, obstinada: pequenos poemas traduzem, às vezes, até arquetipicamente a imagem captada e capturada por força de experiência ou vivência.

O caminho por onde o texto conduz Laura Amélia Damous é este e, daí para frente, é ele que cria o poeta em suas várias vertentes de conversas e diálogos com outros textos, leitores, estudiosos, ensaístas e críticos. Assim, os poemas de Laura Amélia Damous estão-se fazendo, construindo alicerces para a permanência, isto sem arrogância, mas com simplicidade, humildade, respeito pela verdadeira tradição, que se consolida a partir daqueles que ousam incomodar seus contemporâneos, não de uma maneira arbitrária e equivocada, mas com uma consciência do que seja a responsabilidade e o risco em ousar a alquimia poética no texto, já que o fenômeno poético é uma conquista de séculos ou a soma de conquistas. Daí por que nenhum poeta tem o significado sozinho em si mesmo e em seu tempo, porque todo poeta verdadeiramente poeta é um resultado ou a soma dos poetas que absorveu, dos poetas que transitaram e/ou transitam pelos seus textos através de releituras ou recriações. Um bom poeta são vários.

Os textos de um verdadeiro poeta demonstram por si sós que o fenômeno poético não é uma mistificação, muito pelo contrário, representa uma busca de encontrar um sentido para a vida, numa perspectiva de transcendência, numa necessidade de celebrá-la em todos os seus aspectos, diante da certeza de que ela, sendo precária e provisória, por sua fugacidade e transitoriedade que angustiam, afligem e dilaceram o ser humano em sua rápida trajetória pelo Planeta Terra, o Paraíso Terrestre, prescinde de sobrevivência através da escrita.

Exercício

Tuas mãos desenham
uma estranha geometria
curvas que se encontram retas
em direção a um equacionado desejo
(p.120)

(Poema do livro Arco do Tempo)

Tato

Corpo
cor
de

rosado
rosa
em
mim
plantado (p.118)



Em trânsito
Pessoas passam na chuva
Temo pela gota d’água parada
na calçada (p.119)

(Poemas do livro Arco do Tempo)

Misericórdia
Já não posso dizer
te amo
floresce em minha boca
um punhal (p.142)
(Poema do livro Traje de Luzes)

Cimitarra
A lua afiada
decepa
a noite
Estamos órfãos (p.33)

Memória do Tempo
Brevíssimo verão
frágil e fugaz
perpassa o coração trêmulo e assustado
O outono é a certeza (p.41)

Quiromancia
A mão do poema
é a que me cabe
inteira
A outra
eu a carrego,
pesada e alheia (p.61)

Noturno
Tudo é tão simples
que poderia ser pedra (p.64)

Ratoeira
Tremo em pensar
que a saída
vai dar em tua boca (p.116)
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