Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
A presença da mulher no panorama da Literatura Maranhense como sujeito do
discurso poético, em termos de publicações de livros, se constituiu como um fenômeno raro e esporádico, no século XIX, excetuado o caso da romancista e poeta Maria Firmina dos Reis, autora do romance Úrsula e de um livro de poemas, Jupira, resgatados, no século XX, pelo escritor Nascimento Morais Filho. Não há outros registros de nota.
No século XX, o perfil da mulher como poeta se delineia melhor e alguns nomes de expressão se destacam, a começar por Venúsia Neiva, seguindo-se outros como Dagmar Desterro, Lucy Teixeira, Arlete Nogueira da Cruz Machado, Virgínia Rayol, Aurora da Graça Almeida, Lenita de Sá, bem como Laura Amélia Damous, dentre poucas outras que tiveram acesso à publicação de livros.
No entanto, sabe-se, por transmissão oral, que o número de poetas do sexo feminino, no Maranhão, é bastante expressivo e consta que a produção é de boa ou invulgar qualidade.
Que preconceitos mantêm engavetados tantos poetas em pleno terceiro milênio? O Guesa Errante, através de seus editores, abre espaço para a elucidação de processo tão lamentável.
Esta edição contempla a poeta Laura Amélia Damous, cujos poemas, em termos de sugestão poética, enfeixam uma obra bastante expressiva, pela singularidade que lhe é peculiar no trato excepcional dos poemas curtos, verdadeiras jóias raras, miniaturas, as melhores essências em pequeninos frascos, uma opção que não é comum na poesia brasileira, principalmente por tratar-se de um universo poético que privilegia a beleza sinestésica, onde a presença das percepções sensoriais é marcante, por força da necessidade de enfatizar o precário e provisório valor material da existência humana no plano da fugacidade da vida, cuja sobrevivência só é possível através do viés transcendental, ou seja, através da arte.
Expressivo é o texto do poeta, compositor, músico e jornalista Cesar Teixeira revelando os bastidores da trágica condição do ser humano, não mais como peculiaridade do 3o Mundo. A denúncia vem através da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, que faz uma exposição de fotografias, no SESC.
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