Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
Entre o século XI e o XIV, surgiram, na Europa, alguns poetas que tinham marcas estilísticas comuns e que foram cognominados de poetas provençais ou por serem de uma região do sul da França, chamada Provença, ou por adotarem o estilo em voga, na época, independente de ser italiano ou de outra nacionalidade.
Em comum, esses poetas apresentam um estilo refinado, cujas características sobressaem, porque fogem aos modelos-padrão clássicos, singularizando-se pelos experimentalismos.
Esse gosto estético vai desde a escolha de um vocabulário especial a uma linguagem peculiar ou inusitada, até a paixão exacerbada pelo apuro estético renovador, pelo uso do paradoxo ou contradição, pelos trocadilhos e paralelismos.
Trata-se de um discurso poético redundante, perifrástico, às vezes prolixo, atenuado pelo tom constante das rimas. Os temas preferidos pelos provençais são a celebração do amor galante ou cortês, a sagração da beleza, a paixão não correspondida e, não raro, a disputa ou desafio sobre qualquer questão.
Um dos poetas incluídos, nesta edição, o maranhense de Pedreiras, Wescley Brito, tem algumas afinidades com os torneios frásicos e com a redondilha maior ou estrofe com versos heptassílabos desses vates um tanto goliardos ou errantes.
O outro poeta, aqui abordado, é Luis Augusto Cassas, de dicção completamente diferente, pós-modernista, que tem afinidade antes com a releitura de textos herméticos, dando-lhes uma tradução paródica, com vistas não só a atualizá-los como também torná-los acessíveis às massas. Esse trabalho, que está no livro Em Nome do Filho, recém-lançado em São Luís, desloca o entendimento como privilégio de uma minoria elitista para um público plural.
Ainda nesta edição um texto assinado pelo compositor e poeta Cesar Teixeira, cuja proposta é resgatar a memória do jornalista Estêvão Rafael de Carvalho, no contexto da Guerra dos Bem-Te-Vis, dando-lhe dimensão histórica.
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