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Longe do Paraíso é bom cinema dos anos 40
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Editorial

Edição 69

Longe do Paraíso é bom cinema dos anos 40

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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A atriz Julianne Moore estava grávida durante as filmagens de Longe do Paraíso

Por: Frederico Machado


Longe do Paraíso é uma homenagem ao cineasta Douglas Sirk, famoso diretor de melodramas americanos dos anos 40, 50 e 60 (entre eles o clássico Palavras ao Vento), que tinha um estilo clássico e rebuscado. Partindo disso, Longe do Paraíso é um filme à altura de seu homenageado, cheio de beleza, estilo e luz. Mas deixemos claro, que é um tipo de cinema que pode soar, datado e aborrecido, embora contenha momentos soberbos e belos, principalmente em termos de direção de arte (figurinos e cenários) e interpretações.

Desde os créditos iniciais, parecemos estar de volta a filmes da década de 40, justamente o período retratado pelo filme. É tempo de macarthismo, segregação racial, repressão sexual e feminina nos EUA. Cathy (Julianne Moore em interpretação indicada para o Oscar) é uma mulher casada que parece ter uma vida feliz e sem grandes emoções e riscos. Até que flagra o marido (Dennis Quaid – Viagem Insólita) com outro homem e começa a ter amizade com um jardineiro negro. É um filme sobre preconceitos e amor, bem ao estilo antigo, com bela fotografia e trilha sonora clássica. O filme tem um tom que há muito tempo o cinema americano não mostrava. É cinema clássico, tanto na realização, quanto no resultado. Uma película à moda antiga, que conta sua história sem pressa, pautada por bons diálogos e situações.

É interessante notar que o filme tem na direção Todd Haynes, diretor independente, que tem uma carreira marcada por criações de cenas fortes e originais, verdadeiros experimentalismos estéticos, como no seu primeiro filme, Veneno (filme de episódios que tem como tema drogas, morte e vícios ) e Velvet Goldmine (exibido já no Cine Praia Grande), homenagem ao glan rock e ao músico David Bowie, feita com esmero e originalidade. Longe do Paraíso foge, e muito, ao plano traçado para sua carreira. Embora contenha elementos originais e elaborados (como a boa reconstituição de época – mais uma homenagem) e seja realmente um bom filme, é bem mais próximo do cinemão americano com história moralizante, roteiro esquemático e situações rotineiras, embora sempre tratadas com maestria. Esta aproximação de Haynes com o mainstreen pode significar a perda de um talento que poderia render mais no cinema independente.

Outro ponto interessante de notar é que Longe do Paraíso soa a maior parte do tempo artificial. Mas o que é mais importante: propositalmente o seu diretor retrata uma época com distanciamento e carga dramática contida, como se o filme fosse realizado e visto todo por sua protagonista, a sensível, porém fria, personagem principal. Embora esteja apaixonada, ela não tem coragem de levar adiante seu amor, seja por preconceito ou por puro medo. Daí o distanciamento com que o diretor filma sua obra.

O filme segue um roteiro previsível, mas tocante. Embora seja extremamente moralizante, as interpretações de todo o elenco conseguem segurar a história e elevar a película à condição de um bonito filme. Sucesso de público, indicado para 4 Oscars 2003 (atriz, fotografia, direção de arte e figurino), o filme tem tudo para repetir o sucesso que fez em outros lugares, principalmente pelo tema tão gasto (de amor e preconceito), mas sempre interessante.
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