Anuário #02 - São Luís, 2004
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Longe do Paraíso é bom cinema dos anos 40
Chico da Ladeira: Memórias de Um embaixador
Um Beliscão no Umbigo da Tropa de Elite de Clandestinos e Mal/ditos
Editorial

Edição 69

Editorial

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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Esta edição começa por falar sobre a obra literária de um poeta urbano, Fernando Abreu, cuja poesia tem uma trajetória de vida e leitura excepcionais, no que se refere à experiência com a arte dos poemas curtos, apresentando fatura e fortuna qualitativas dignas de aplausos.

Com lances instantâneos, os poemas-relâmpagos, sintéticos, quase hai-kais são projetados como insights ou sacações, intuídos, no entanto, a partir de uma seleção arquetípica cuidadosamente experimental, desde os textos do primeiro livro, Relatos do Escambau.

O Umbigo do Mudo, o novo livro do poeta, marca o coroamento dessa ascese, no qual exercita sua capacidade no aceso e acesso da criação literária.

O não dizer tudo ou quase nada, apenas sugerindo; o deixar implícito, elíptico, para que o leitor descubra e usufrua a essência, impondo-se como a exceção ao oficial, é a regra do poeta.

Fernando Abreu também exercita o lado lúdico do poema-relâmpago, através do qual procura seduzir, surpreender e encantar o leitor e o crítico, ao usar uma tática de criatividade, a partir de uma situação inusitada, que surpreende pelo deslance do inesperado.

Inovador, também utiliza-se de palavras-valise ou portmanteau, apontando para neologismos, polilingüismos e polissemias.

Fernando Abreu relê os poetas emergenciais do seu tempo, como Jack Kerouac, Allan Ginsberg, E.E. Cummings, William Carlos Williams, Bob Dylan, Waly Salomão, integrando-se a essa família de poetas ditos mal/ditos que, quer em prosa ou verso, escandalizaram a sociedade na segunda metade do século XX. Essa leitura propiciou-lhe uma releitura e ultrapassagem dos textos precedentes que escrevera, revitalizando-os com novos arranjos.

O poeta e compositor Cesar Teixeira traz à tona, nesta edição, o nome artístico de Francisco de Assis Vieira, Chico da Ladeira, pseudônimo que tem tudo a ver com a vida do poeta, pois foi preciso que ele descesse a Ladeira para, tornando-se poeticamente parte integrante dela, nela fizesse sua própria ponte e passarela em belíssimas canções, sambas e sambas-enredos cantados em vários carnavais e, assim, subir na descida ou queda para o alto, que é o melhor momento de todo artista, ao dar a volta por cima.

O Jornal Pequeno, através deste Suplemento, presta uma merecida homenagem a um dos seus mais fiéis colaboradores, o poeta-compositor Chico da Ladeira.

Não é também por acaso que Frederico Machado, cineasta e cinéfilo, revisita o cinema norte-americano dos anos 40, ao analisar o filme Longe do Paraíso, uma homenagem prestada pelo diretor Todd Haynes ao cineasta Douglas Sirk. Coincidentemente, a vida de Sirk é mostrada como a perda de um talento que poderia render muito mais ao cinema independente americano.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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