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Mude - Edson Marques
O Bom-Humor & o Glamour do vi Show-Baile das Damas da 3ª Idade
Editorial

Edição 30

O Bom-Humor & o Glamour do vi Show-Baile das Damas da 3ª Idade

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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A reconquista do humor, do glamour, do frescor e vigor na 3a idade, pela mulher, é o resultado da descoberta de um tesouro interior inestimável, chamado auto-estima. Aí, nesse exato momento, ocorre a morte do micróbio da velhice, chamado autocomiseração ou autocompaixão. Então, o desejo de mudar e seguir em frente, sem olhar para trás é definitivo. A pessoa inteira é abalada e tomada de súbito, tocada em seu ser interior, desenraizada da vida convencional, possuída pelo incontido desejo de se desfazer dos preconceitos sobre idade e comportamento e investir radicalmente em si mesma. É quando a mulher da 3a idade rompe com o presente do tempo cronológico e opta por viver o grande lance ou cartada que o tempo mental lhe propõe como ordem do coração. Descobre, então, que a mocidade, a juventude não é um privilégio de um tempo cronológico, mas de uma época psicológica, um estado de ânimo, de humor ou de espírito, uma dinâmica da mente, um condicionamento que parte do interior para o exterior e não ao contrário. É a mais instigante e importante descoberta já alcançada pelo ser humano: a do país das maravilhas da memória, a eterna fonte da juventude.

Eis a convicção mais poderosa! Forças anônimas e obscuras emergem, não se sabe de onde, como por passe de mágica, dirão alguns.

Mulheres da 3a idade são como que tocadas pela vara de condão da Fada da eterna juventude, ao se reconduzirem e se reconciliarem com o tempo mental que amaram em tempos aparentemente remotos. Sonhos frustrados, não usufruídos, lá ainda estarão no jardim secreto de cada uma. O ser-tempo adormecido, latente, acorda. Forças subterrâneas são alavancadas. É um abalo, uma mudança de propósitos, um desfazer-se de preconceitos e escalas de valores obsoletos e anacrônicos. Códigos de conduta são anulados pela força da prática. São as somas dos desejos acumulados se reconectando e interagindo, mostrando-se sem máscaras na passarela da vida real. Cargas de energia até então submersas que afloram.

Assim, a tese vulgar sobre a mocidade, como privilégio exclusivo de uma etapa da vida, é descartada e a teoria de Bergson sobre a vida fluindo no tempo mental ou fluxo da memória ou consciência impõe-se como imperativa de não deixar que o tempo passado e o imediatamente presente-passado se torne matéria de ficção.

Pela emotividade, a carga mental de juventude ou mocidade de uma pessoa numa variável de 50 a 80 anos é compatível e proporcional com o saldo de sonhos que tem de reserva por e para realizar.

Se um homem ou uma mulher sente, aos 40, que já realizou tudo quanto uma pessoa possa desejar da vida, estarão velhos por antecipação. A perda do poder dos sonhos é também a perda da mocidade ou juventude, em qualquer idade cronológica.

Em A Arte de Amar, Eric Fromm nos diz que, quando uma pessoa perde a capacidade de se surpreender e encantar com o mundo, estará fatalmente morta, em vida.

O que acontece de fato com as pessoas da 3a idade é que elas acordam determinado dia e descobrem que estavam vivendo o pesadelo que é o existir convencional, imutável e resolvem viver, de olhos abertos, os sonhos que se frustraram. Aqueles desejos reprimidos ou recalcados, então, passam à categoria de prioridades. Você poderá chamar a isso: reconquista do humor ou ânimo para curtir a vida sem preconceitos. Afazeres, controles, ética, religião, compromissos inibiram aqueles desejos de auto-realização: conhecer o mar, fazer viagens, ir a um piquenique, sair para dançar, fazer amigos, conhecer pessoas, realizar uma vocação, namorar, noivar, casar ou viver com aquele rapaz que foi o seu grande amor.

Ao público, tudo parecerá absurdo, desparatoso, pois a mulher, a mãe, a avó, a tia, a viúva, a bisavó começa, segundo os filhos, os netos, os bisnetos, os sobrinhos, os amigos, a tomar atitudes libertárias, a fazer coisas estranhas, ter idéias malucas, contrariar a ordem.

Mirarcângela, após os 60, viúva, deseja casar-se novamente ao reencontrar-se com o romance ou com o amor frustrado na adolescência. Deusamor é criticada por fazer ginástica, sair sozinha, praticar aeróbica, pintar o cabelo de louro, fazer sauna, massagem, hidroginástica, caminhada, ir a festas, chegar fora de hora, fazer viagens quando lhe dá na telha, estar visivelmente apaixonada por Mirugodém.

Na realidade, todas estão exercitando aquela parte de tempo que têm de crédito na caderneta de poupança dos sonhos não realizados e, por isso, acumulados, aquela parte adormecida, mas não morta, do dito tempo perdido. É a volta, o retorno a esse tempo revisitado, a esse ponto, a esse tempo mental não satisfeito, só e a partir de onde poderá recomeçar a sua vida. Recuperação de sonhos que corresponde, exatamente, ao que se chama, convencionalmente, o gerador do humor, da energia, do glamour, da paixão, da sedução, do amor, do estado de espírito da mulher da 3a idade.

Pelo fluxo da memória ou da consciência, a mulher volta a um tempo que se torna recorrente em sua memória, à morada dos desejos juvenis, ao banco de créditos de seu jardim secreto e particular, onde se reencontra com aquela outra mulher-ela-mesma do passado cronológico, aberta para o diálogo face a face e para o ousar, na prática. Tomando-a pela mão, a reincorpora em si e, então, dispõe-se ao resgate de si mesma, reinvestindo em todos os sonhos do mito da eterna juventude. A partir desse dado momento, em que toma conhecimento dos créditos a que tem direito, ainda atordoada, ela acessará o caixa eletrônico e digitará o número de sua caderneta de poupança bloqueada e, então, com o saque, terá o passaporte que a reconduzirá e reconectará com o país mágico, onde as fronteiras e territórios dos preconceitos da idade cronológica são abolidos e o que poderia parecer ficção, se torna realidade. A mulher da 3a. idade está pronta para realizar todas as fantasias antes sufocadas, vivendo a plenitude da eterna mocidade mental que age positivamente sobre sua saúde física, sem dúvida.

Viver as fantasias no plano da realidade, a partir do inconsciente, eis o eterno retorno à juventude ou mocidade, que não é uma ficção, mas um permanente estado de ânimo, humor ou de espírito, um permanente convite e instigação a se dispor como voluntária para enfrentar os desafios que não ousou antes, por imaturidade ou medo.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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