Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
Para homenagear a escritora Lucy Teixeira, uma das vozes mais lúcidas da Literatura Maranhense, que comunga concisão e legado poético no mais intrínseco sentido do que T.S.Eliot, em A Essência da Poesia, entendeu por tradição que, segundo ele, não deve ser herdada, senão conquistada com imenso sacrifício, o Guesa Errante interrompe aqui o projeto das edições sobre as vanguardas e os escritores marginais maranhenses, projeto que será retomado na próxima edição.
Partindo de uma prosa eminentemente poética e propositalmente projetada, para dizer-se mais, nas entrelinhas, Lucy Teixeira conduz com incomparável sutileza a maestria da narrativa. Discreta, ela trabalha os vários níveis da linguagem, desenovelando e desvelando com leveza os duros caminhos da ascese da criação literária. E toda a força criativa que perpassa o texto que belamente escreve está por trás, por detrás, nas várias máscaras que ela manipula para engendrar o poético, dando sopro de vida ao que sobrou do caos literário. Ela sempre pinça o melhor para envolver o leitor em suas armadilhas mortais, já que suas alegorias embutem ciladas, suas sinestesias camuflam amores inconfessáveis. Seus sortilégios ao bem-amado não são, senão, o reconto do Cântico dos Cânticos numa linguagem que mistura paixão e sedução, o amor visto no roseiral em pétalas de palavras.
Um Destino Provisório, romance recém-lançado em São Luís, misto de denúncia de um dos dramas mais cruciais do Brasil, o da criança que, quer dentro ou fora da família, pode estar em seu destino provisório. Assim, Um Destino Provisório é principalmente um romance sobre a criança abandonada, miseravelmente sofrida, que passa de miséria em miséria. Em síntese, sendo o romance uma abordagem sobre uma menina, é uma bandeira que denuncia a condição feminina.
Cesar Teixeira se vê às voltas, nesta edição, com as peripécias peripatéticas que podem levar um peão boiadeiro matuto a transformar-se em santo milagreiro. Poesia pura e todo um ritual sobre a arte de prelibar aos festejos folclóricos em sua plenitude. No texto, se excelem as características romanescas caricaturais que têm no aspecto grotesco o ponto alto: o baixo se eleva e o alto se rebaixa, o peão se torna santo e nele o povo tem preservada a sua esperança messiânica. O mito da espera, a crença em alguém humilde que se torna poderoso.
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