Data de Publicação: 30 de novembro de 2005

Este ano é o cinema americano que reina, não só nas bilheterias, fato comum, mas também na qualidade, fato que não acontecia há um bom tempo. Só faz confirmar que o cinema americano é ainda um dos melhores do mundo. A prova está em dois recentes filmes que, sem dúvida, vão constar na lista dos melhores do ano. Insônia e Minority Report - A nova Lei são obras para público adulto, mas que não esquecem que cinema pode ser também passatempo e boa diversão. Mas é fundamentalmente inteligência, arte e compromisso.

Insônia é o melhor filme do ano até o momento. Não é nada tão impressionante e virtuoso como Amnésia, o filme anterior do diretor Cristophen Nolan, mas é muito mais bem realizado, sério e convincente. Lembra que no cinema não há necessidade de efeitos, malabarismos e surpresas. É necessário apenas ter histórias convincentes, atores perfeitos e direção segura. Insônia incomoda. O filme conta a história de Will Dormer, policial que se desloca de Los Angeles

para o Alaska para resolver um crime. Quando mata seu parceiro acidentalmete (?) o filme muda de estrutura e rumo. Um filme forte, com ritmo próprio, com clima clautrofóbico. Al Pacino tem a melhor interpretação de sua carreira, o que já é suficiente, haja visto que o ator já teve personagens antológicos em O Poderoso Chefão, Perfume de Mulher e tantos outros. Robin Willians aparece pouco, mas convence fazendo um assassino frio e sem exageros. Hillary Swank, que já ganhou o Oscar por Meninos não Choram, prova que é realmente uma boa atriz compondo um personagem de maneira correta e deixando brilhar os outros atores. Mas é Cristophen Nolan que realmente conduz com perfeição todo o filme. Sua direção é segura, densa, conduzindo a trama de maneira a deixar o público sufocado com a história densa e verdadeira. Grande filme. Cineasta promissor. Já Minetory Report é Steven Spielberg em sua melhor forma.

Aventura inteligente que, apesar de ter alguns toques infantis, faz sua volta ao grande time de diretores do cinema moderno. E ainda mais, sem perder a personalidade que seus últimos filmes não tinham. Aqui Spielberg faz aventura dramática com os melhores efeitos digitais que o cinema já mostrou, mas

envolvido em uma história inteligente sobre perda de identidade, ficção científica e corrupção. Spielberg parece ter encontrado novamente o caminho da aventura dos tempos de Indiana Jones, o sentido mágico de ET e a crueldade de Encurralado. Fez um filme visionário, com toques de Kubrick, mas dando um sentido todo pessoal na história

Cinema americano reina. Pelo menos este ano não surgiu nenhum filme fora o cinemão que seja tão marcante e impressionante para ser lembrado. Isto não acontecia já há algum tempo, pois era de fora dos EUA que vinham os melhores e mais originais filmes. É esperar pela Mostra Internacional do Rio e de São Paulo para conferir se realmente este ano o cinema americano reverteu as coisas e foi o que apresentou os melhores filmes. Coisa que há um bom tempo não acontecia.
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