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Rabecas e violas abrem o coração na Semana da Cultura Popular
Editorial

Edição 26

Rabecas e violas abrem o coração na Semana da Cultura Popular

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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Com o sugestivo tema “De Repente a Rabeca: O Improviso e a Arte de Quem Toca e Canta” e a proposta de levar ao público uma mostra de repentistas e rabequeiros, sobretudo do interior do Maranhão, o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (CCPDVF), deu início ontem à Semana da Cultura Popular, que se estenderá até o dia 30 de agosto com uma programação concentrada nas quintas e sextas-feiras.

A data de ontem, 22 de agosto, Dia Internacional do Folclore, foi marcada pela conferência da professora maranhense Alba Maria Pinho de Carvalho, mestra e doutora da Universidade Federal do Ceará (UFC), sobre o tema “O Local Além das

Ondas Globais - A Força das Raízes”, no auditório da Casa da Festa, um dos módulos do Centro de Cultura Popular, localizado na rua do Giz, nº 221- Praia Grande.

Cordas de ouro

Depois da conferência, houve a abertura da Exposição “Parafernália: Instrumentos Musicais Artesanais”, na Casa de Nhozinho (rua Portugal nº 185), além da apresentação dos conjuntos de repentistas e rabequeiros “Os Guanarés” e “Barba de Ouro da Rebeca”, que também participarão do encerramento da programação no dia 30 de agosto.

O primeiro veio de Caxias, integrado por cinco componentes que tocam rabeca, cavaquinho, violão, pandeiro e pratibombo, sob a batuta do rabequeiro Marcelino Pereira Barbosa, o popular Marcos. Já o “Barba de Ouro”, apelido do seu proprietário Sebastião Dias Viana, é de Buriti Bravo, sendo também formado por cinco músicos, com rabeca, banjo, pandeiro, bombo e triângulo.

Segundo Michol Carvalho, diretora do Centro de Cultura Popular, a proposta foi envolver rabequeiros que nos seus municípios de origem acompanham vários tipos de manifestações, como Bumba-meu-Boi, Folia do Divino, Reisado, Pastor, Baile de São Gonçalo, Lindô e Lili, além de festas populares onde afiam os ritmos do xote, bolero, forró, samba, chorinho etc.

Os repentistas são ligados, igualmente, a várias manifestações e tradicionalmente fazem sua cantoria em feiras, aniversários, comícios e outros eventos, que incluem até “visitas de cova”, nos cemitérios, como em Caxias.

“Ao focalizar esta temática pretendemos continuar chamando a atenção do grande público de São Luís para a diversidade e riqueza do nosso interior, de onde vêm os repentistas e violeiros, tradicionais figuras com quem podemos compartilhar uma viva sabedoria popular”, resume Michol.

Arco e ponteio

Na quinta e na sexta da próxima semana, das 14 às 17 horas, no Auditório Rosa Mochel (Casa da Festa), serão realizadas as aulas-espetáculos (nada de workshop) sob o mote “Arco e Ponteio: A Rabeca e a Viola nas Tradições Musicais Brasileiras”, com Gustavo Pacheco e Edmundo Pereira, músicos e antropólogos do Rio de Janeiro, formados pelo Museu Nacional/UFRJ.

Durante a atividade, os dois, que desde 1996 vêm pesquisando a cultura popular de diversas regiões do Brasil, especialmente Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão, irão tocar e contar um pouco da história desses instrumentos e do repertório de folguedos e cantigas a eles associados.

“Entre os diversos temas que serão abordados estão as diferentes formas da poesia popular brasileira e das tradições regionais envolvendo a rabeca e a viola, assim como as lendas criadas sobre o aprendizado e o uso dos dois instrumentos”, informam os artistas.

A aula-espetáculo inclui não só temas originais da tradição popular brasileira, mas também arranjos e recriações desses temas.

No repertório, diversas peças do romanceiro popular, como o “Romance da Bela Infanta”, que remonta ao século XVI cantigas cantadas pelo cego Pedro Oliveira, de Juazeiro do Norte; cantigas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; e toadas de folguedos como o Cavalo-Marinho de Pernambuco e da Paraíba.

Serão também interpretadas obras de compositores que se dedicaram à pesquisa e composição, a partir de temas populares, como Guerra Peixe, Antônio Madureira e Roberto Corrêa.

“A rabeca e a viola caipira são dois dos mais antigos e importantes instrumentos musicais brasileiros. Fruto da ocupação árabe na Europa, chegaram ao Brasil no início da colonização portuguesa, assumindo características próprias e difundindo-se por quase todas as regiões do país”, explicam.

Gustavo e Edmundo também têm história. Tocaram juntos no Cordão do Boitatá e são atuantes no campo da música e da antropologia. Fundaram, junto com outros artistas e pesquisadores, a Associação Cultural Caburé, ONG dedicada à pesquisa, registro e apoio a expressões sócio-culturais de relevância para a cultura brasileira.

Edmundo integra o Grupo Gesta, dedicado à pesquisa e criação musical a partir da cultura popular, tendo como referência o Movimento Armorial, fundado por Ariano Suassuna.

Encerramento

Michol Carvalho faz questão de lembrar que todas as atividades da programação possuem entrada franca, e que poderão participar das aulas-espetáculos “Arco e Ponteio” até 100 pessoas.

Nos dias 29 e 30 de agosto, a partir das 18 horas, a Casa de Nhozinho, onde se concentra toda a programação deste ano, receberá repentistas e rabequeiros dos municípios de Fortuna, Viana e também de Caxias.

A saideira ficará por conta da “Turma do Vandico”, com um repertório de música popular maranhense, seguindo-se um arrastão pelas ruas da Praia Grande, que vai durar até para o ano “se nós vivo for”.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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