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Editorial

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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A obra literária O Código do Vento, do poeta Chagas Val, recém-lançada em noite-de-autógrafos, fecha o ano de 2004 com chave de ouro.

Com O Código do Vento, Chagas Val dialoga com os grandes mestres da poesia lírico-amorosa, e nos dá o privilégio de reler Salomão, Camões, Florbela Espanca, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Vinícius de Moraes, Bandeira Tribuzi, Ferreira Gullar e Rilke, sob uma ótica eminentemente qoheletiana e sartreana.

O mérito dos poemas lírico-amorosos de Chagas Val está justamente no fato de, sendo essencialmente eróticos, escapam à banalização da escatologia, da pornografia e da apelação ao lugar comum do duplo sentido, típico do febeapá globalizado dos videotas.

Trata-se de um poeta, portanto, que merece ser lido e estudado, para que a verdadeira poesia sobre o amor seja redescoberta e, definitivamente, resgatada.

Da maturidade da casa dos oitenta anos, o poeta Eugenio de Freitas é um dos maiores símbolos de resistência do Parnasianismo, no Brasil. Sem dúvida, ele é a maior expressão atual, em Língua Portuguesa, na arte do poema alexandrino.

Forma criada no Renascimento, por Petrarca, o soneto foi a arma que celebrizou excelentes poetas no mundo inteiro, como Sá de Miranda, Camões, Bocage, Gregório de Matos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Francisca Júlia, Vicente de Carvalho, Raimundo Correia, Teófilo Dias, Cesário Verde, Cruz e Sousa, Afonso de Guimarães, Augusto dos Anjos, Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé, Da Costa e Silva, I.Xavier de Carvalho, Maranhão Sobrinho, Florbela Espanca, Rainer Maria Rilke, Vinícius de Moraes, Augusto Frederico Schimidt, Ferreira Gullar, Nauro Machado e tantos outros.

O escritor, poeta Cunha Santos Filho explica, exemplarmente, como se situa o poeta Eugenio de Freitas no contexto desses monstros sagrados, amantes do poema com quatorze versos, dando-lhe a verdadeira dimensão.

Na página quatro, a professora e escritora Dinacy Corrêa, na Galeria de Anônimos Ilustres, faz uma viagem pelo universo hippie do trânsito e tráfego humanos que envolve a Praça Deodoro, a Rua Grande e adjacências em especial.

Essa panorâmica permite a Dinacy Corrêa mergulhar na trajetória de uma pessoa que é simultaneamente hippie, camelô e flaneur.

Trata-se de um resgate oportuno, que visa desestabilizar a visão precon-ceituosa contra o pé-na-estrada.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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