Anuário #03 - São Luís, 2005
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Cristóvão Colombo da Silva (III)
Esperando a missa do galo (I)
Editorial

Edição 96

Editorial

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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Quando Paulo de Tarso encontrou Jesus, na Estrada de Damasco, o impacto espiritual que sofreu foi tão excepcionalmente maravilhoso que ele, de imediato, deixou de perseguir os cristãos e, seguindo o Messias, abandonou por completo a intransigente Lei Judaica, a do Antigo Testamento, e se dispôs a viver a Boa Nova ou Nova Aliança, isto é, o Novo Testamento.

O nascimento de Jesus é o marco mais importante de toda a História da Humanidade.

A filosofia de Cristo constitui uma guinada de noventa graus diante de tudo que até então se havia pregado e praticado em termos de mensagem evangélica, porque suscitou uma mudança radical sobre a concepção pregada e praticada em relação ao ser humano, quando a prioridade até então eram os doutores da Lei e os Césares. Cristo apresenta como prioridade o amor recíproco, sem nenhum preconceito de condição administrativa, social, econômica, de cor, raça.

Ele prega e pratica o humanismo, o socia-lismo, tomando por base o amor, o perdão e a compaixão. Mais que isso, O Sermão da Montanha, a sua mensagem evangélica fundamental, é tão carismática e revolucionária, que atraiu para ele e os seus apóstolos o ódio dos doutores da Lei, hipócritas, fariseus, publicanos e sepulcros caiados das pregações das sinagogas e das praças públicas.

A Boa Nova é, assim, uma ruptura com uma doutrina cartesiana e positivista.

Quando Cristo diz, Bem-Aventurados os humildes, os deserdados, os pobres e
os puros de coração, está pregando uma radical mudança na estratificação social vigente. Por isso, atraiu também a cautela de Herodes e Pôncio Pilatos e a fúria da aristocracia e da burguesia. Ele pregava a igualdade social nivelada a partir do poder espiritual, contra a pirâmide social estabelecida pela hierarquia temporal.

Ele ensina que Deus Pai é amigo, irmão, e não carrasco. Portanto, prega a misericórdia.

Quando lemos os Evangelhos dos apóstolos, percebemos que Deus, na Antiguidade e na Idade-Média, foi usado como pretexto para que outro deus agisse, o do controle e poder temporal.

Que neste Natal todos os povos tenham um discernimento sobre o que seja a verdadeira mística de Cristo e busquem nos corações a mensagem desse Deus revolucionário, que está sendo diluída num retrocesso vertiginoso ao Antigo Testamento, nas últimas décadas.

É necessário atentar para a transparência da essência do que pregou e praticou Jesus Cristo: a igualdade social sem privilégios, tendo por base o amor recíproco, o perdão e a compaixão.

Dentre os que melhor expressaram esse espírito humanitário da confraternização universal cristã, estão o apóstolo Paulo de Tarso, Francisco de Assis, João da Cruz, Rabindranath Tagore, Terezinha de Jesus e Khalil Gibran, que comparecem nesta edição com belíssimos textos poéticos.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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