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Poeta no circuito marginal maranhense
O doce fel das anguardas literárias marginais (II)

Edição 25

O doce fel das anguardas literárias marginais (II)

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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A poesia considerada marginal ou sem contramoldes, ainda que esporádica, tem uma história, um percurso e uma leitura não contemplados pelos livros didáticos que, de um modo geral, só levam em consideração a tradição. No entanto, há textos importantíssimos, fundadores e fundamentais, para que se possa ter uma visão crítica isenta de equívocos, do ponto de vista da perspectiva da criação literária conseqüente.

Pode ser que uma concepção desapaixonada sobre a construção do texto só seja possível através do trabalho pioneiro dos verdadeiros mestres da recriação literária, já que eles partem sempre da desconstrução para a construção estética textual.

Houve o tempo do Cântico dos Cânticos, de Salomão, texto bíblico:

Põe-me como um selo sobre o teu coração,
como um selo sobre os teus braços
Os teus lábios destilam mel virgem
e o mel e o leite estão sob tua língua
Ah, beija-me com os beijos de tua boca
porque os teus amores são mais deliciosos
do que o vinho
e suave é a fragância dos teus perfumes
O teu nome é como um perfume derramado



Houve o tempo das Carmina Burana, canções de Beuern, acervo da abadia beneditina de Benediktbeuern, na Baviera, 1803, transferido para a Biblioteca do Estado, em Munique. Constituem-se de inúmeros autores anônimos, monges goliardos, que abandonaram as abadias e saíram a perambular sem destino, andarilhos-declamadores, às vezes a mendigar em restaurantes e bares, os chamados clérigos vagantes ou goliardos (clerici vagi). As canções exaltam os prazeres do amor, de uma boa mesa, do jogo, são virulentas críticas ao papa e ao establishment clerical. Esses autores da Carmina Burana, desde o século VIII, atuaram no mercado literário paralelo ou marginal, na Alemanha. Consideradas por Segismundo Spina como o último suspiro da poesia latina clássica e um dos primeiros balbucios da poesia chamada moderna.As canções dos monges vagantes ou goliardos foram copiadas por volta do ano 1230, embora escritas a partir do século VIII.

Houve vários outros poetas marginais, geralmente obscuros, anônimos, alguns resgatados por Ezra Pound, no ABC da Literatura. Vale a pena conferir.

A partir de 1970, a poesia marginal teve maior expressão e expansão, no panorama internacional, com o surgimento de poetas de peso como Allan Ginsberg, de Uivo.

No Brasil, destaca-se o poeta catarinense Paulo Leminski, que influenciou inúmeros poetas nas últimas décadas.

No Maranhão, a poesia rotulada de marginal resultou de um grupo denominado Párias que, ao longo dos anos 80 e 90, publicou mais de uma dezena de edições com o mesmo nome. Entre os poetas que compuseram esse grupo, destacam-se Celso Borges, Ribamar Filho, Paulo Melo Sousa, Garrone, Fernando Abreu e Rezende.

Na década de 90 e início do Terceiro Milênio, a novíssima poesia marginal maranhense tem-se manifestado através do Festival Maranhense de Poesia Falada e Festival Maranhense de Poesia da UFMA.
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