Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
Este é o 50o número deste suplemento e, para come-morar a data, os redato-res do Guesa Errante con-cordaram em fazer uma série de edições sobre o Carnaval, durante o mês de fevereiro, em oposição natural ao carnaval fora de época, uma versão caricata do verdadeiro Momo, conforme será explicado nas edições Guesa, sem saudosismo ou nostalgia, mesmo porque a voz que fala nele é a do povo, que foi ouvida por Rabelais e Mikhail Bakhtin, como projeção de algo espontâneo e muito forte, cujo eco se ouvirá nas passarelas de São Luís, quando o carnaval de rua passar e a Favela do Samba se fizer ver em todo o esplendor do seu samba-enredo, que conta a História de um verdadeiro maranhense, o poeta Sousândrade e do poema épico maior em Língua Portuguesa do Brasil, O Guesa ou Guesa Errante.
Todo escritor, que tenha tido uma vida rica de experiências, como Gonçalves Dias ou Sousândrade, pode, por sua própria trajetória, constituir assunto de uma fantástica alegoria. Esse recurso literário que, no campo do folclore, corresponde a uma carnavalização que se expressa, na escola de samba, tem como correspondente a representação teatralizada do Momo, cuja base é um enredo, que se constitui de poema e música ou samba-enredo. A projeção concreta dessa carnavália se expressa através das fantasias dos foliões, das alegorias dos carros e das alas, que buscam reproduzir, por episódios, os conteúdos da narrativa ou letra.
Quando escritor e obra se tornam tão importantes no panorama nacional e internacional, ao ponto de se imporem como arquétipos ou mitos literários, como é o caso Sousândrade/O Guesa, formando como que uma unidade e unanimidade literário-autobiográfica, um ícone, mais rico se torna o filão ou manancial a ser explorado, para que se desmascarem os equívocos e os reais valores culturais aflorem, escancarando-se os bastidores da realidade alegoricamente.
- Próximo texto:
- Edição 50 Mõkãnmôkos, A Arte do Riso na Praça
- Texto Anterior:
- Edição 51 Quarta-feira de Cinzas nos terreiros de Tambor de Mina - o Arrambã1
- Índice da edição - Ano I