Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
Francisco Tribuzi é o nome literário de Francisco José San-tos Pinheiro Gomes. Filho do saudoso escritor José Tribuzi Pinheiro Gomes e da Sra. Maria dos Santos Pinheiro Gomes. Nasceu em São Luís do Maranhão, Brasil, em 24 de janeiro de 1953. Fez o curso primário no Instituto Lourenço de Moraes e no Colégio Zoé Cerveira. O segundo grau, no Colégio Nina Rodrigues. No Colégio de São Luís, o Curso Técnico em Contabilidade. Formou-se em Química pela Universidade Federal do Maranhão,UFMA. Profissionalmente, exerceu o magistério, nos colégios Nina Rodrigues, Almirante Tamandaré e Unidade Integrada Bandeira Tribuzi. Foi chefe de gabinete do Instituto de Tecnologia e Meio Ambiente, no Governo João Castelo. É funcionário da Companhia Energética do Maranhão, onde trabalha, há 16 anos, como assessor de Comunicação Empresarial. Do primeiro matrimônio com Izaíde de Araújo Rodrigues, nasceram Clarice Rodrigues, poeta, e Vinicius Tribuzi Pinheiro Gomes. Do segundo matrimônio, com Maria das Dores, nasceram Artur e Raul Tribuzi.
Francisco Tribuzi é da geração de Rossini Corrêa e Cunha Santos Filho. De livro, publicou apenas Verbo Verde, poesia, composto e impresso pelo Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado, SIOGE, São Luís, MA, julho, 1978. No entanto, participou de várias antologias, entre outras, A Atual Poesia do Maranhão, organizada por Arlete Nogueira Machado; As Lâmpadas do Sol, organizada por Carlos Cunha, e em outras antologias como Hora de Guarnicê I e II, Poetas da Ponte; Poesia Maranhense do Século XX, organizada por Assis Brasil. Também participou da revista literária Um Degrau. Tem premiação em vários concursos: Menção Honrosa Especial do 5º Concurso Nacional de Poesia, organizado pelo Instituto de Poesia Internacional, Porto Alegre-RS, dezembro, 1972; 1º lugar no Concurso de Poesia Dia de Luz, da Companhia Energética do Maranhão – CEMAR, em 1995, com o poema Delirium Tremens, Medalha de Ouro no 18º Concurso Nacional de Poesia, promovido pela revista Brasília, 1996. É membro fundador da Associação Maranhense de Escritores (AME). Tem alguns livros inéditos: Azulejado e Tempoema, poesia, e Sob a Ponte, conto.
Visão Crítica
Francisco Tribuzi: Um cinqüentão refém da feiticeiraA via do cotidiano o seduz. Poeta e boêmio se fundem. Fran-cisco Tribuzi comunga em si os dois lados ou margens do mesmo rio incendiado pelo sol e camuflado pela noite. Caminhar por entre alamedas de ressacaldos e respirar o ar de aguardantes. Beber nos raios das estrelas o céu e embriagar-se dos crepúsculos da infância enquanto houver saudade e esquecimento. Ser apaixonado pela insônia das coisas que todas as manhãs são apanhadas pelas mãos do sol. Repartir o pão de cada dia nas ruas, calçadas e praças, recapturando o assédio que em Francisco Tribuzi inclui gatos vadios, roseirais sonâmbulos e passantes notívagos ressonados apenas recém-saídos da penumbra da madremadrugada logo que a aurora de dedos de rosa surge matutina (1), entre as barras da manhã transplantadas para as orlas dos olhos escondidos sob olheiras, passando por pomares, onde, sob o poder da sedução noturnamente alados, os sonhos se concretizam entre obscuros miados, ronronares e marcas de amor gravados na pele a unhas e dentes.
Como na Divina Comédia, de Dante Alighieri, o poeta está No meio do caminho desta vida/no temporal da grande noite negra. Sim, seduzido pelo insidioso convite das sacadas dos sobradões e pela sede intermitente das carrancas, chegado à Idade do Lobo que uiva à lua, lobisomem tipo carcará que pega, mata e come (2), amadurecer. É a hora da encruzilhada do Fausto de Marlowe, Goethe e Thomas Mann perdido na bela noite de Natal em seu quarto recluso cheio de pensamentos pessimistas e vazio de emoções e percepções. Tornar-se-á taciturno e prematuramente velho e cabisbaixo? Ou irá à rua pós ouvir, vindo da praça, o bimbalhar dos sinos e os cantos natalinos nas buzinas dos carros que azucrinam? Lembrará de que ainda está vivo e é soma de sonho e seiva e saúde sensorial ? Tomará uma caneca de cerveja e passará o braço em torno da cintura de uma rapariga e cantará e dançará de novo como um adolescente?
Sim, Francisco Tribuzi completou 50 anos de idade, no dia 24 de janeiro deste ano de 2003, mas o poeta que mora nele, no menino, no adolescente e no homem adulto e cinqüentão, o reconvoca a dançar, na praça, a ciranda da vida que, incessante e ininterruptamente, brota do coração da humanidade cotidianamente viva. E este poeta essencialmente lírico, como em Verbo Verde, continua a nos enternecer com uma verve que nasce e aflora plena de porosidade e pulsações sobre as situações e cintilações, mais simples do dia-a-dia, passando pelos sonhos solitários e noturnos dos jornalistas e jornaleiros que, juntos, atravessam acordados os porões e sótãos da noite, para pôr à mesa do leitor o pão da palavra matinal. Ah, a fala sobre o anônimo namoro e noivado dos gatos vadios nos telhados das casas, fazendo amor sob os raios das estrelas e em solidariedade à matilha de cães vadios e em cio, sem se aperceberem e preocuparem com o curso do dia de hoje e do de amanhã.
Francisco Tribuzi, uma lírica que lembra a paixão do pai, o saudoso poeta Bandeira Tribuzi, pela cidade de São Luís. E pai e filho se co-irmanam mano a mano e manifestam uma paixão legítima pela Cidade-Ilha. Muito diferente daquela que soa falso na frase feita com efeito de sofisma, São Luis, Minha Paixão! Que não se pode amar uma cidade transformando-a numa rameira, usando-a como uma dona de bordel usa uma bela prostituta em singular prostíbulo, como a colocá-la num cabaré, oferecendo o sexo suado a preço de dólares a turistas e gringos. Que não se pode amar uma cidade com um rio Anil e um rio Bacanga, cartões de visita de um mar oceânico rebentando corolas de ondas em espumas no Cais da Sagração, enquanto se fazem festa e farra e fortuna fortuita e fraudulenta com a falência da fé pública.
Pai e filho celebram no canto de louvor e amor a São Luís um dueto que merece ser reeditado para que os ecos desta bela poesia se ouça por todos os recantos e cantos de São Luís, como canção, poemas que, como buquês de lágrimas, lavem o solo da Cidade-Ilha, onde o genial Padre Antônio Vieira pisou e onde, não obstante o que ele disse, tantas lamúrias e lágrimas são abafadas e afogadas em lenços e adeuses de deuses traídos, os que daqui se partem como Gonçalves Dias, ficando mais em se indo que cá vivendo em exílio perpétuo, como se aqui não nascidos nem gerados poetas natos.
Em São Luís, a poesia está de parabéns, aniversaria. O poeta Francisco Tribuzi faz cinqüenta anos. Alegria.
(1) Odisséia, Homero; (2) João do Vale; (3) Ferreira Gullar
Ode Ao JornalistaAcorda que a cidade dorme
e o silêncio perpetua a imensidão das coisas.
Acorda que a madrugada é fria
e principia
a manhã sonhada.
Acorda que logo mais o jornaleiro
estará nas ruas
e as notícias cruas
desvendará:
o que aconteceu,
a vida que morreu
nessa noite a mais.
Noite em que o jornalista não dormiu
e a tudo assistiu
madrugada afora,
e colheu a notícia na hora
e aproveitou a essência da rosa
recém-nascida
para colocar em manchete
no jornal de seus olhos
onde não dormem nunca
o Segredo e a Madrugada.
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