Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
Cinqüenta anos é muito e é pouco tempo para a difícil arte da existência. Valeu pelos pais que tive (tenho): vivenciá-los é já interpretar o tempo como eternidade. Valeu pelos dias de busca, pelas noites de busca, pela busca da vida. Pelos acertos convencionais, pelos erros intencionais.
Do que fiz – mais pelos filhos, bens maiores do inventário feito exclusivamente deles e de poesia e ainda do infinito e insubstituível amor por esta Ilha.
Valeu pela cumplicidade anônima dos amigos da rua, dos amigos de lua e boemia. Valeu pelos antroponautas, poetas guarnicendo com a ternura singullar dos poemas os mistérios e as estrelas solitárias da noite.
Valeu pela soma das ternuras e carícias dos amores, pelo quinhão de solidão e a saudade de outros portos.
Amigos leais – até aqui poucos, mas muito leais. Enquanto houver flor e canção e eu puder plantar a paz no coração do ser humano, o muito do pouco vivido terá valido a pena existir – que ser já é dom natural dos que buscam incessantemente a luz radiante da poesia.
(Francisco Tribuzi, São Luís, janeiro de 2003)- Próximo texto:
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