Anuário #02 - São Luís, 2004
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Ferreira Gullar(III) Ver Além!
Editorial

Edição 76

Editorial

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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É um fato relevante a consta-tação de que o aparecimento de uma obra de ruptura im-plica no realinhamento de todas as obras precedentes. Se de um lado esse fenômeno gera um mal-estar no espírito dos conservadores, por outro lado cria um ambiente salutar e propício para os pioneiros, desbravadores e às novas gerações, sempre ávidas por novidades, aventuras e criatividade.

Reler, comparar, duvidar, acreditar, suspeitar se torna então uma euforia.

O novo sempre causou impacto, estranhamento e assombro, ainda que Todorov tenha tentado dar um tom eufêmico a esses terremotos clandestinos, ao afirmar que o novo é o velho reinventado e que não há romance senão a partir de outro(s) romance(s), nem poema, senão a partir de outro(s) poema(s), o que também tem sua parcela de crédito.

Radicalização à parte, cada obra de mudança tem consistência própria, pois cada uma se sustenta como realidade, tomando por base o seu processo de criação e realização. Nela o texto não é um instrumento ou veículo através do qual se filtra a realidade, mas a própria realidade articulada, à medida que a linguagem constrói e conta a sua própria história, ainda quando desconstruindo a história de livros precedentes, quando se engendra em algo novo, estranho ou diferente do convencional.

As artes poéticas têm esse mérito de trazerem à tona a discussão sobre o que é realmente a novidade em literatura, do ponto de vista da criação literária. Isto é bom? Claro que é!, pois só ela instiga as mentes ávidas a investigar, inventariar, principalmente a ler, ter a curiosidade de observar e comparar ou até intertextualizar e daí tirar suas próprias conclusões.

Toda obra de arte relevante amplia a circulação de pessoas nas livrarias e bibliotecas, motiva os estudantes, gera debates, polêmicas, discussões, obriga ou leva professores, escritores, teóricos, críticos, ensaístas, estudiosos e leitores em geral a uma reflexão ou reciclagem. Enfim, provoca nos círculos acadêmicos, universitários e fora deles uma verdadeira guerra de opiniões contra e a favor. Mais cedo ou mais tarde, a verdade é que a novidade se impõe e acaba por consagrar escritores como Machado de Assis, Lima Barreto, Sousândrade, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Osman Lins, Autran Dourado, Campos de Carvalho e alguns outros, no Brasil.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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