Anuário #02 - São Luís, 2004
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Ferreira Gullar(II) - Conta Tudo...
Editorial

Edição 75

Editorial

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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Em Ferreira Gullar, além do poeta, convivem simultaneamente o ho-mem culto, o teórico, o ensaísta, o crítico, o artista plástico, o roteirista de televisão, o tradutor, enfim um homem de visão múltipla, o que o destaca e distingue como um dos exponenciais do pensamento da arte moderna e contemporânea, antenado que está, tanto na prática, quanto na teoria, com as mais ousadas conquistas, dos anos 20 aos dias atuais.

Com A Luta Corporal, obra de 1954, quando o poeta tinha apenas 24 anos, ele teve o descortino do que viria a ser o texto dos anos futuros, conclusão a que haviam chegado apenas alguns poetas russos do grupo dos transracionais.

Nesta edição, privilegia-se o escritor maduro, de visão enciclopédica. Apresenta-se aqui o Ferreira Gullar crítico, teórico e ensaísta, mostrando o que ele, de maneira descontraída, franca e transparente, pensa sobre a poesia e o poeta, literatura brasileira, estrangeira, pintura e crítica literária brasileira. Assim, a matéria da segunda e terceira páginas se constitui de trechos de entrevista que Ferreira Gullar concedeu, nos últimos dias do mês de novembro de 1995, em sua residência, no Rio de Janeiro, ao poeta e crítico literário Weydson Barros Leal.

O que está nos livros ou compêndios didáticos nem de longe corresponde à realidade. Há inúmeras questões em jogo, equívocos disparatosos, injustiças gritantes. Entre elas, estão as sobre a exclusão, quase que total, de nomes de importância, como Maranhão Sobrinho, para o Simbolismo; e Sousândrade, para o Modernismo, no panorama da literatura nacional. Quando muito, há uma notícia rápida em raríssimos compêndios sobre a existência destes. Na verdade, segundo Ferreira Gullar, na referida entrevista, não há crítica literária neste país ou, se há, não se sabe onde, em que livros, se repousa inédita em gavetas ou se é apenas um instituto a serviço da tradição herdada.

É urgente a revisão de valores hoje. Nas Universidades e Academias de Letras, com raras e honrosas exceções, a mentalidade é conservadora. Celebra-se com quase unanimidade o pacto com o óbvio. Poucos discordam, a maioria impõe as regras, e poesia e poema continuam sendo a mesmíssima coisa. Para o geral, onde há prosa, não há poesia; e, onde não há versos, não há poesia; e, onde há versos, só lá, e tão somente, há poesia. A maioria ignora que há, e bastante, poesia, até mesmo sem poema ou linguagem verbal (escrita ou oral) e que há poemas sem poesia, total ou parcialmente. Está-se, assim, na época da barbárie da teoria e da crítica literária.

Quer-se saber quem é quem no contexto da literatura maranhense, nacional e internacional, após comprovação com trabalho científico de análise literária que inclua estudo de literatura comparada, através de intertextualização. Quer-se saber quem é quem, por que, como, quando, onde e para quê. Sem tal estudo, não se disse absolutamente nada.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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