Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
Seguia no vácuo das parábolas dos morros, ruabaixo rolando com água de chuva e trovãociferações. Da terra brotavam foguetes pra tátátáBUMar e confundir-se com a natureza, inventar-lhe previsão.
Chorava, criativo. Desprendi-me e subi, para trovejar, mas tenho medo de céu. Imaginava algo que não desse aquela impressão de cenário de fundo de tela de pintura absurda, enfim, que pudesse ecoar minha voz. Engolir.
Se contentava e não se continha: era maduro assim.
Não sei se a chuva ainda é maior que a possibilidade de sexo contida naquelas palavras-chaves que trocamos agora há pouco. Não nego: infinitava-se em mim seu olho-brilho, mas eram azuis: morria de morte poética o amor.
Ahhh... esqueci de dizer que os foguetes eram para comemorar o ano novo. 2003 nascia empunhando o óbvio. Não haveria criação.
Retaguardando na horta, negro corvo como sempre conversando com espantalhos (naturalmente pés-de-espigas). Linda a impressão de azul suspenso no ar de seu discurso, desconhecido que era de milho, folha e raiz. Acreditava ser tempo ainda de bico e garra.
Na praia, deitado, corvo-rosa não tem idéia das penas que o revestem. Na caixa, sua tinta é o rosa de suas penas. Viva a tinta! Morte ao ser-corvo! Da janela vê-se o mar. De algum mar não se vê janela alguma.
Carta suicida é não escrevê-la. Vamos brincar de morrer aos poucos?
É pântano onde se vive e rastro onde se passa e céu-refletindo-poça o que se vê. A montanha é uma onda congelada suplicando-me deixá-la voltar pro mar. A tinta é azul pois o papel é branco. A rocha é forte pois o homem a definiu, se desculpando de sua fraqueza.
Minh’alma desmastiga.
Uma folha em branco... o finito em mim exercício sem fim de engolir cada vez maiores pedaços nos ilimites da goela e da expressão.
Não sou prolixo. Se quer, resumo o que quero: beber pedra do copo-de-leite do sóbrio.
André Grolli, Gripe n.0, p.06- Próximo texto:
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