Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
A poesia pede passagem aos abacaxis do Trânsito da Linguagem
A Poesia pede PassagemA Poesia não quer mais andar de carona. Prefere ir a pé e sem car-tas de referências. Recusa-se a obedecer aos sinais convencionais dos guardas e dos semáforos do trânsito do discurso poético convencional, saturada que está dos engarrafamentos provocados pelas regras preestabelecidas, o que não leva a lugar algum, muito pelo contrário, torna exaustiva, estressante e inútil uma viagem que se quer em trânsito e tráfego livres.
O Grupo Gripe tem uma proposta de ruptura, no limite do possível, com o obsoleto e anacrônico, sem negar o legado literário histórico, porém sentindo-se no direito de problematizá-lo contraditória e ironicamente. Vale a pena conferir.
Constituído por André Grolli, Marília Oliveira, Reuben da Cunha e Ricardo Netto, tendo como colaboradores Edson Andrade, Elen Mateus, Gilson Coelho e Ricardo Jessé, o Grupo Gripe se significa dialogando com as várias tribos do Planeta Terra. Essa leitura é feita através do fanzine Gripe, já no 6º número.
O fanzine Gripe, portanto, reúne textos de um grupo de escritores que entendem a Poesia estar além de gêneros literários, daí por que se manifestam quer em prosa, quer em versos. Para eles, o que é louvável, a sintaxe, a pontuação e a ortografia devem ser uma conseqüência do fluxo mental, ou seja, do estado de espírito, da emotividade, do momento psíquico. Em outras palavras, como algo do domínio da introspecção psicológica. Com certeza, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, se estivessem vivos, assinariam essa desordenação sem pestanejar. Os editores Guesa também assinamos, porque causa espécie a mesmice milenar no reino da criação literária.
O poeta e compositor Cesar Teixeira comparece em sua página com A Cachaça do Santo (VI), dando continuidade à pesquisa que desenvolve sobre a aguardantes, cujo contributo para a economia, o folclore, a música, a literatura e a alegria nacionais, é impressionante, chegando até a influir nos rumos da História do Brasil.
Outro assunto controvertido e polêmico, e, por isso mesmo, instigante, é Maconha & Folclore (1), abordado também pelo compositor Cesar Teixeira (ed.72).
Sob o título Filme é tragédia para olhares humanos, o cineasta Frederico Machado faz uma análise concisa e poética de uma brilhante película 21 Gramas, que tem profundas raízes na tragédia da vida real, contrapondo-a a filmes estilo fábula, como Matrix, Harry Porter e O Senhor dos Anéis.
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