Cesar Teixeira – Shopping Brazil

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Em princípio, por sensibilidade ou emotividade, todos os seres humanos são poetas ou artistas em potencial. Nem todos, no entanto, transmutam esse frenesi da vida interior, tocados pelo amor ou pela paixão que o universo e as pessoas nos impõem por força da sedução.

Assim, a poesia que é uma dádiva, um dom de todos, não poderia desperceber alguém que já nasceu em berço musical, embalado pelas composições do pai e dos boêmios compositores da Madre Deus.

Ninguém poderá negar que a música é a mais intangível forma de significação poética.

Independe de palavras, transcende às barreiras idiomáticas, universaliza-se sem precisar de traduções. As notas musicais pelas ondas do rádio, pela televisão, por discos vinil, cd ou dvd, transpõem todas as fronteiras, territórios e obstáculos impostos pela torre de babel lingüística.

Não é à toa que Rainer Maria Rilke, em A Primeira Elegia, da obra Elegias de Duíno, nos chama a atenção:

Seria sem sentido a lenda que, outrora, no lamento por Linos,/ surgiu a primeira e ousada música, penetrando árida rigidez;/ que, no espaço assustado, abandonado/ de súbito e para sempre – / por um jovem quase divino – o vazio, pela vez primeira,/ entrou naquela vibração que agora nos arrebata, consola e ampara?

Cesar Teixeira é poeta na plenitude da expressão com ser compositor musical. Completa-se ainda mais porque é excelente músico, em se tratando de instrumento de cordas, o violão.

E, se é uma verdade inatacável que a palavra lírica é uma derivação sufixal de lira, instrumento musical predileto dos poetas medievais, que eram também uma síntese de letristas, compositores musicais, músicos e cantores, aqui está o poeta completo, já que Cesar Teixeira preenche todos esses requisitos.

As canções ou Cantigas de Amor e de Amigo eram poemas líricos musicados, tocados e cantados pelos próprios poetas provençais, os jograis, segréis e menestréis da medieval lírica portuguesa.

Em Cesar Teixeira convivem simultaneamente o maestro, o arranjador, o compositor musical, o músico instrumental e o letrista. Esses vários eus-líricos formam o perfil de um artista que busca, acima de tudo, ser perfeccionista ou detalhista na sua produção no campo da criação literária e musical.

Essa aspiração de virtuose faz com que os eus, que ele contém em si, estejam sempre se renovando. O resultado é simplesmente surpreendente, pois conjuga um casamento perfeito entre forma e conteúdo, tornando-o um profissional irretorquível.

Cesar Teixeira é também criador de poemas que se destinam à publicação em livros, com mais de três títulos inéditos.

Poeta moderno, seus versos, compostos segundo o livre-metrismo, têm uma dicção personalíssima, não só por incorporarem a linguagem das ruas, como também pelo poder de síntese ou concentração do poético na espacialização gráfico-visual restrita.

Como a sabedoria popular afirma, Tudo colocado sob medida. Ressaltem-se a simplicidade, a sutileza, a discrição com que ele consegue, em poucas palavras, construir um mundo alegórico impressionante, quando propositalmente transforma as ladeiras num ser vivo, atuante, como no poema Patrimônio

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