Anuário #02 - São Luís, 2004
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'A música que eu mesmo toco eu tenho que dançar'
Cesar Teixeira - Shopping Brazil
Shopping Brazil - Verbo & vida, poeta!
Fragmentos da Arte
Shopping Brazil

Edição 70

Fragmentos da Arte

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
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Cesar Teixeira nasceu no Beco das Minas, em São Luís do Maranhão, no dia 15 de abril de 1953. Influenciado pela pintura moderna, dedicou-se na adolescência às artes plásticas, que lhe renderam alguns prêmios no final da década de 60. Mas a música popular foi aos poucos se infiltrando em suas veias, graças não só aos programas de rádio a que costumava assistir levado pelo pai, o compositor Bibi Silva, como também pelo seu interesse pela rica variedade de ritmos tradicionais herdados das etnias que formaram a nossa cultura.

Ao lado do poeta Viriato Gaspar, arrebatou o 3º lugar no III Festival de Música Popular Maranhense com Salmo 70, em 1972, ano em que participou da fundação do Laborarte, movimento artístico que inclui teatro, literatura, dança, artes plásticas e folclore, existente até hoje. Lá realizou as primeiras experiências com os ritmos regionais. Depois, estudou violão clássico com João Pedro Borges (Sinhô), de 1974 a 1976, na Escola de Música do Maranhão.

Em 1978, algumas de suas músicas e de outros compositores de sua geração foram registradas no disco Bandeira de Aço por Marcus Pereira, um produtor que na época pesquisava o romanceiro nacional e divulgou nomes importantes como Cartola e Canhoto da Paraíba. No ano seguinte, Cesar Teixeira venceu o 1º Festival Universitário da MP Maranhense com Sentinela, uma parceria com Zé Pereira, organizador de brincadeiras populares.

Arrebatou outros prêmios, como o Festival Viva/1985, em São Luís (Oração Latina), e o Festival de Marabá-PA/1994 (Tocaia). Tem músicas gravadas pelos intérpretes maranhenses Rita Ribeiro, Chico Maranhão, Gabriel Melônio, Alcione, Cláudio Pinheiro, Célia Maria, Cláudio Lima e Papete, entre outros, como também pelo menestrel mineiro Dércio Marques.

Trilhando paralelamente os caminhos da literatura, o artista vence em 1996 o Prêmio Nacional de Poesia Vinícius de Moraes, promovido pela RIOARTE, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, com o Poema de Amor e Alquimia sobre o Araguaia, em homenagem às mulheres guerrilheiras que atuaram na região e foram mortas durante o regime militar.

Em 2001, participou do Rumos Itaú Cultural Música, tendo duas composições suas (Parangolé e Mutuca), integrado a coleção de CDs desse programa, além de ter se apresentado na Sala Azul do Itaú Cultural em setembro daquele ano. Foi também escolhido pela Rádio Universidade FM do Maranhão o Melhor Compositor de 2001, recebendo troféus de Melhor Música e Melhor Letra pelo chorinho Ray-Ban.

Finalmente, em outubro de 2002, Cesar Teixeira recebe Menção Honrosa pelo poema Patrimônio Cultural Profano, no Prêmio Carlos Drummond de Andrade, em Ipatinga-Minas Gerais.

Cesar Teixeira

Aos 50 anos de idade, o poeta e compositor Cesar Teixeira, maranhense da gema e clara voz, finalmente estréia em CD, após proustianamente revisitar, reencontrar, reconquistar e resgatar a fortuna do seu tempo perdido, ao assinar as faixas do CD Shopping Brazil, já gravado e pronto para ser lançado brevemente. Assim, Cesar Teixeira paga um débito contraído, paradoxalmente, contra si mesmo e, por imposição do ofício de haver-se revelado, para com o público maranhense, em geral, e de outras plagas onde, como cá, geralmente conhecem a sua música, embora nem sempre saibam que seja de sua autoria.

Durante anos sucessivos, e por que não dizer décadas, o compositor, músico, letrista e arranjador Cesar Teixeira deslumbrou o público, platéias e amigos em shows e saraus, tendo chegado a milhares de lares pelas ondas de rádios e pela televisão. Ouviu suas próprias composições favoritas, como Bandeira de Aço, Flor do Mal e tantas outras na boca do povo e de vários intérpretes, sendo divulgadas por todo o Brasil e além fronteiras. Tal prática criou um caso sui generis de um artista consagrado e, no entanto, até então inédito em CD próprio.

Cesar Teixeira beneditinamente tirou leite das pedras das ladeiras sociais de São Luís para o duro ofício de sobreviver como Sísifo. Compôs, fez arranjos, poetou de letrista, engavetou, viveu a danação do ineditismo, refez, foi comido por vírus de computador em três livros de poemas. Desesperou-se, bebeu, sofreu ressacas e deu a volta por cima, continuando sua trajetória de artista como compositor, músico e intérprete. No entanto, quando menos se esperava o CD veio a lume, para honra e glória da tradição da Atenas Brasileira.

Joãozinho Ribeiro narra o milagre assim, (...) que o digam a paciente parteira/produtora Tatiana Ramos e a teimosa turma do Laborarte, leia-se: Nelson Brito e Rosa Reis principais responsáveis por esse prodigioso resultado cultural.

O Jornal Pequeno, através desta edição Guesa Errante, a última do ano 2003, presta justa homenagem a um dos ou a um dentre os mais expressivos talentos maranhenses da atualidade. A equipe Guesa Errante constituída por Josilda Bogéa Anchieta, Alberico Carneiro, Frederico Machado, Marcelo Araújo e Wilson Caju, através desta editoria, saúda e parabeniza o poeta-compositor, desejando-lhe e ao leitor maranhense votos de Boas Festas e um feliz 2004.

Em tempo, Cesar Teixeira é um dos redatores deste Suplemento, responsável pela página de cultura popular, música e artes plásticas.
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