
S’imaginando só tanta beleza, De si com nova glória a alma s’esquece; Que será quando a vir? Ah! Quem a visse! (do Soneto 84 de Camões)Sou como dólar; cai mas não perde o valor”. Com esta frase, ela se autodefine, na sempiterna majestade de quem foi rainha. Vaidosa (saudosamente vaidosa) da beleza que a singularizava como a ninfa mais desejada da Boate Monte Carlo, nos seus anos dourados... E está aí a foto que não a deixa mentir.
Na intimidade, talvez melhor dizendo, no modesto (aliás, precário) conforto do cômodo em que ora se instala, no 3º andar do prédio para onde foi recentemente transferida (Rua Humberto de Campos – escadaria), ela vai tirando, de entre as folhas da antiga agenda, as fotos, para as quais posou nua, no seu quarto de cabaré. “Sou linda, não sou?” Abrindo botões, vai mostrando, ao vivo que, aos 66 anos, ainda está plena... “Meu peito é de ubre (úbere), nunca caiu”. Com naturalidade, vai expondo o corpo ainda sarado, sem estrias, pneus ou qualquer vestígio de celulite. “Viu? Meu corpo é todo firme, como sempre foi. Eu era linda! E ainda continuo linda, não é verdade?” Faz pose de estrela e ri espontânea, verdadeira.“Aceita um copinho? Hoje estou bebendo...” Vinho? “Não; champagne”. Abre a geladeira e mostra as bebidas e as frutas variadas. “Naquele dia que você bateu aqui na porta, eu não lhe convidei pra entrar porque eu me dou aí com um moço, um funcionário público (viúvo), e ele tava aqui... Bom, às vez a gente nem faz nada, mas ele me dá tudo que eu quero”...
Como diz o Chico, “quem não a conhece não pode mais ver pra crer...” Mas, “o referido é verdade e dou fé”. E, aqui para nós, a beleza física, (efêmera beleza) é o que menos pode contar, neste contexto... O que toca, mesmo, o que a faz comoventemente bela, é a sua pureza, o charme singelo, a graça desafetada (no modo desembaraçado de conversar, no botar, por exemplo, um chapéu, no jeito de ser vaidosa)... Aquela autenticidade de quem é humildemente verdadeiro (ou verdadeiramente humilde - sem cinismos) para declinar, com naturalidade, o seu poema sujo, sem medo, preconceito ou vergonha de ser o que é, de ter sido o que foi: prostituta, mulher da Zona, mulher da vida... Estamos diante de uma menina encantadora, uma pessoa muito especial - e não só, como veremos, por tratar-se de uma das últimas (senão a última) remanescentes da já extinta ZBM, que efervescia o nosso Centro Histórico nos anos 50, 60, 70... do século que acabamos de transpor, mas pelo que ela é, antes de tudo: um ser humano muito sincero.
Vale a pena conhecê-la! Aproximemo-nos, pois, de mansinho... Na porta do quarto, transparente sob a cortina rendada, o nome da diva, afixado: ALAÍDES MARQUES – que se confirma, mais extenso, no RG que, mais tarde, ela faz questão de apresentar, autenticando a sua identificação, donde a leitura: Alaídes Marques Rodrigues. Filiação: Felipe Pinheiro Rodrigues e Maria José Marques Rodrigues. Naturalidade: Pinheiro – MA. Data de nascimento: 27. 07.1938.
Franca, direta, cheia de caprichos & relachos, para não trair, segundo ela, os caracteres do seu signo zodiacal (Leão), esta maranhense da Baixada, partiu de sua cidade natal, em 1954, ainda adolescente (16 anos), com destino aqui à capital, indo direto para o prédio 360, da Rua da Palma (hoje em processo de restauração), que abrigou, por muitos anos, a Boate Monte Carlo, da qual ela acompanhou a trajetória. Importante é ressaltar que essa boate decaiu, se extinguiu, o prédio virou casa de cômodos, (a partir de 1973) e se foi deteriorando, em sua estrutura física, mas ela nunca o abandonou, mesmo quando este ficou definitivamente em ruínas. Até há um mês atrás, ela era presença constante no local, viabilizando seus negócios, em um compartimento do térreo, abrindo-se para a Rua Direita, em cuja bandeira da porta ainda se pode ler, na placa branca de compensado, a frase em vermelho: CASA DE IRENE NOITE E DIA - numa referência ao bolero que tanto embalou suas noitadas de salão, naquela zona, da qual ela nunca se afastou, senão por breves períodos. Ali, durante o dia, a partir das 7:00h, ela vendia os seus gorós – conhaque, cachaça temperada, café, cigarros, às vezes comida, servindo, dessa maneira, aos trabalhadores de rua ou operários de construção, militantes na área, onde ela é considerada, carinhosamente, como a eterna musa, Irene. Aquele era, a bem dizer, o seu pedaço. Ali, ela passava todo o seu dia, em companhia da amada Laica, a canina que considera sua filha. No dinamismo de seu espírito irrequieto, ela animava o ambiente, ali imprimindo o estigma do seu gênio forte, seu temperamento entre esportivo e belicoso (bateu, levou).
À noitinha, voltava, após a dura jornada de trabalho, para o cortiço onde se domiciliava (Rua da Estrela, 355 – ora também em processo de restauração). Com uma experiência de vida sobremaneira interessante, Irene/Alaídes deixará, no coração do Centro Histórico de São Luís, o rastro indelével de sua passagem e o traço firme de sua personalidade.
Fuga de Pinheiro
e perda do
primeiro amor
“Eu fugi da casa de meus pais e vim m’imbora de Pinheiro, porque eu tava namorando um home casado (já tinha me entregado). Ele tinha 40 anos, era muito bonito (alto, magro, elegante, do jeito que eu gosto). Eu me apaixonei por ele. Meu pai era muito rijo (rígido) e, quando soube, só falava em matar. E pra defender a vida dele, eu resolvi vim pra cá e partir pra outra. Mas não adiantou, que ele morreu mesmo...” Pausa. “Meu pai negociava com madeira, mandava aquelas entregas de tábuas aqui pra São Luís, nos barcos. E Ribamar (esse era o nome do Apolo) também viajava muito pra estes lados e meu pai pagou uns homes pra jogar ele no mar, no Boqueirão, onde ele não pudesse se salvar”?!... “Jogaram. Ele morreu mesmo, não se achou nem o corpo”. Silêncio. Perplexidade... “A polícia investigou, meu pai ficou como o principal suspeito, mas não houve provas. Os barqueiros guardaram segredo. Eram tudo amigo”. Comoção. “Esse foi o meu primeiro homem...”
Primeiros contatos com a ZBM e detenção no juizado“Aqui em São Luís, fui direto pra Boate Monte Carlo, na Rua da Palma. Fiquei lá um tempo, depois fui pra outra, na 28 de julho, sob as ordens da Madame Zilda, minha primeira madame. Rodava por aqui tudo. Eu era de menor e isso dava problema. Eu bebia muito e ficava doida, desaforada. Pegava uma faca e saía riscando as paredes do salão de um canto a outro. Era preciso vim a polícia. Até que, não tendo mais condição, fui parar no juizado de menor e fiquei lá, detida. O juiz me disse: Você é menor, não pode ir pra Zona. Um dia, fugi de lá e peguei o trem pra Terezina. Cheguei de madrugada, tomei um táxi e pedi o motorista pra me deixar na Zona. Ele me deixou, a madame me recebeu, eu bebi, dancei, dormi, acordei 4:30h, tomei banho às 5:30h, me vesti e saí pelas ruas. Ouvi os guardas assobiarem uns pros outros e um deles me abordou: Você é de onde? De São Luís, estou na boate. A dona não lhe disse como é a lei aqui? Aqui pessoa nenhuma, principalmente mulher, sai andando pela rua, fora de hora. Pediu meus documentos, viu que eu era de menor, me botou na viatura, me levaram de volta pra boate e me deram 24 horas pra deixar Terezina”.
Paixão caminhoneira e tentativa de suicídio“Nesse tempo, tinha aqueles caminhão FM. Eu peguei uma carona com um homem barbudo, muito bonito (tipo Antonio Fagundes). O nome dele era Roberto Lamar. Pra onde você quer ir? Tenho vontade de conhecer Belém do Pará. Tudo bem: eu vou pra São Paulo e na volta lhe deixo lá. Ficamos amantes, eu gostei muito dele e quis ter filhos com ele... Quando voltamos, fiquei em Belém e ele disse que, quando voltasse, me levava. Como meu maior desejo sempre foi ser mãe e a gente já tava junto há um tempo e eu não engravidava, fiz uma consulta médica e eles (os médicos) descobriram que eu sou estéril. Tenho o útero seco e sou cerrada de osso. Aí, entrei em desespero e tentei o suicídio.Tomei soda cáustica. Quando ele chegou, me encontrou quase morta, no hospital. Levei tempo pra ter alta e quando saí não soube mais dele e fui pra Zona. Em Belém, a boate ficava na beira do rio, onde encostavam todos os barcos. Lá eu completei 18 anos.”
Dona da minha vontade e escrava do meu desejo“Quando completei 18 anos, eu disse pra mim mesmo: Oba! Agora sou dona da minha vida, ninguém vai mais me prender, me deter. Mandei buscar minha irmã, que hoje é casada, e ficamos trabalhando na boate um bom tempo. Em 1962, já com meus 24 anos, voltei aqui pra São Luís e de novo fui direto pra Boate Monte Carlo”.
“Logo que cheguei (l962), me envolvi com um empresário, dono de uma frota de ônibus na São Pantaleão. Tivemos uma briga por ciúmes e ele fez um acordo com a dona da boate pra eu não ir mais no salão. Beber, comer, tudo, agora, só no meu quarto. Ele pagava tudo, mas não queria que eu fosse pro salão (Era casado, coroão de seus 40 anos). Eu me sentia presa. Olhava pela porta e via as mulheres dançando, se jogando no chão, tirando a roupa... E era aquilo que eu queria! Eu não nasci pra cabresto, sempre quis ser livre, dona da minha vontade e escrava do meu desejo! Fui ficando triste, deprimida e tentei o suicídio de novo com soda cáustica. Me levaram pro Socorrão. Minhas irmãs choravam... Quando voltei do hospital, ele me tirou da boate e me botou numa casa, no Cavaco (Bairro de Fátima). Me dava de tudo, não me faltava nada. Aí, ele não sabia se ficava na casa dele ou na minha, e eu ó: nele (faz o gesto com os indicadores erguidos, postados em cada lado da cabeça), como um militar. E a gente negociou. Ele me perguntou quanto eu queria pra sair da casa e eu disse: mil cruzeiros – que nesse tempo era muito dinheiro. Ele concordou e eu falei: Deixo a casa agora! E voltei correndo pra boate da minha paixão”.
Vida de boate e orientação de MadameSob o comando da Madame Mercedes, de Fortaleza, a Monte Carlo era mesmo chic...Ali só entravam homens de terno e gravata, sapatos lustrosos, molho de chaves tilintando no cós da calça e muito dinheiro na carteira. É o que dá conta Alaídes, retomando o discurso:. “As mulheres não podiam falar com o garçon. Qualquer coisa tinha que ser pedida ao acompanhante. E o que mais a gente pedia era Rhum. Era fácil: só espichar os beiços e gemer Rhum!... A madame dizia: vocês já têm a boca torta de pedir Rhum!”
Na Monte Carlo (sempre segundo Alaides), só se descia com ordem da Madame, cujas orientações tinham que ser seguidas à risca, por todas as garotas da Casa. E vale a pena ouvir essa voz, Fênix renascida, na evocação da depoente: “Meninas, no salão, vocês procurem me olhar sempre. E se eu piscar pra qualquer uma de vocês, já sabem: Subam pro meu quarto, que eu tenho qualquer coisa pra dizer pra vocês, seja uma reclamação seja uma recomendação.” E ei-la , orientadora: “Meninas, evitem os homens jovens, prefiram os mais velhos. Não aceitem esses rapazes como acompanhantes, na mesa. Eles não têm dinheiro pra pagar as bebidas, não querem pagar a chave (a quota da madame), e acabam pagando muito mal até vocês”...
Os senhores, esses sim; eram sempre bem recebidos pelas Madames, que lhes faziam festa, apresentando as garotas, exortando-os a escolherem ... E começava a orgia, a boemia. Era o salão funcionando. Danças, jogos, bebedeira, ao som de boleros, sambas-canção, mambos e rumbas, incrementando as noites do cabaré. A propósito, vale lembrar, que toda a ZBM da São Luís daquela época, estendendo-se pelas ruas da Estrela, da Palma, da Saúde, 28 de Julho, bairro do Desterro... era um luxo! A partir das 21:00h, a festa exuberava. Bandas de músicas famosas, vindas de fora, mulheres lindas, chegadas da Europa (francesas, portuguesas, italianas, espanholas...) e até do Japão (!!).
Madames & madames!E eram tantas as boates por aqueles arredores, com suas respectivas Madames que o tempo foi levando. Alguns nomes, aqui elencados, emersos das lembranças de Alaídes, nos dão uma panorâmica do Centro Histórico da Cidade, prolífero nos seus bordéis... Vejamos: Madame Zilda (Rua 28 de Julho); Madame Itelvina (Tevina, carcamana - Rua 28 de julho); Madame Mariquinha (em frente ao Convento das Mercês); Madame Lucy (Rua da Saúde, antiga Pensão Rodo); Madame Odília (Rua da Palma, em frente ao 360 – onde mataram o tenente Marinho e onde mais tarde funcionou a Nova Cap); Madame Mercedes e Madame Maria Araújo (Boate Monte Carlo, Rua da Palma, 360; lá só entrava homem de terno); Madame Dinar (Rua da Palma, prédio de azulejos, pegado ao 360); Madame Lucília (também do Rodo); Madame Lavínia (carcamana – Rua da Estrela, onde hoje é uma boate de travestis – era madame e dona da casa); Madame Micaela (Rua 28 de Julho – também madame e dona da casa); Madame Cleres (belíssima, na sua loirice de olhos azuis fulgurantes - Boate Cristal, Rua da Palma); Madame Maroca (que fez nome e fama, tendo prosperado muito, no ramo, chegando até a estabelecer-se em Terezina, com novas filiais, mas tendo, por fim, malogrado, perdendo tudo, não deixando, ao falecer, nada para a filha, sua herdeira).
Como já dizia o velho bardo lusitano: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Muda-se o ser, muda-se a confiança;/ Todo mundo é composto de mudança,/ Tomando sempre novas qualidades”... Nesta vida tudo envelhece, sendo sempre superado pelo novo que surge ou pelo tradicional que se renova... Chegou, para a nossa ZBM, o seu tempo de decadência, até à falência total. Alaídes ainda revê, na distância, a sua Monte Carlo, moribunda, que suspira... “Em 73, ali já não era mais boate; era casa de cômodos. Já não se fazia mais salão... A gente pegava os homens na rua”.
Ponto de vista e bate-papo final“De 80 pra cá, tudo foi ficando diferente. Muitas repartições se mudando... Até o Palácio do Governo (!!), o Quartel de Polícia, o Palácio de Justiça... Tudo passando ali pra banda do Renascença. Os prédios cada vez mais se arruinando, as pessoas indo morar em outros bairros... Foi surgindo conjuntos de casas popular, condomínios de apartamento... Muitos morrendo, outros indo imbora... Aqui foi ficando velho, abandonado, parado. E vieram as ondas de assalto. Todo mundo tinha medo de andar por aqui, ainda mais de noite. Os homens já não freqüentavam mais as casas de encontro, já levavam as mulheres pra outros bairros mais tranqüilos...”
Você sempre tirou de letra com os homens, Irene? “Acho que sim. Nunca fiquei sem um amante, até hoje. E antes, o cara que me tivesse uma vez queria voltar sempre. Eu é que era muito esperta e cheia de truques, gostava mesmo era de provocar. Gostava que o cara da noite anterior me visse, na noite seguinte, acompanhada de outro. E quando algum dos meus pretendentes me propunha uma nova visita, eu pegava a minha agenda, examinava e dizia: Não! Nesse dia já tenho compromisso. Nem que não tivesse, fazia assim pra me valorizar. Homem gosta é de mulher poderosa. Muitos quiseram me tirar da Zona, largar a família por mim e eu não permitia, desdenhava. Eu era voluve (volúvel), nunca quis ninguém fiche (fixo). Como disse, eu gostava mesmo era de provocar, de seduzir (até pela janela do meu quarto, que ficava bem em frente, dando pra Rua da Palma. Eu saía do banho, enrolada na toalha e ficava na janela... Soltava... Os caras ficavam doidos!)”.
Ninguém nunca te passou mesmo a perna, Alaídes?
“De tanto eu escolher, um dia me ferrei. Chegou um morenão alto, bonitão, na boate, e só a altura dele já me provocou. Camisa social, gravata, abotoaduras douradas nos punhos, sapatos brilhando... Me chamou pra mesa! Dancei, bebi, fui pro quarto com ele, me pagou direitinho... Quando se despediu, me beijou, me abraçou, disse que voltava no outro sábado. Quando ele saiu, vi que tinha esquecido um molho de chaves. Chamei pela janela, ele subiu, entreguei as chaves, ele me deu outro beijo, outro abraço... E disse: Você está me tirando de uma grande enrascada. Estas chaves aqui são da minha empresa. Sabe aquela casa de ferragens lá da Praia Grande? Eu sou o gerente! Cada chave aqui é de uma porta, de uma gaveta... E eu, toda orgulhosa, pensei: tô feita. Um dia, ouvi da minha janela um cara dizendo: Rombora burro! Eh! burro. E a minha colega me chamou e disse: Olha, Alaídes, aquele que ficou contigo! É um carroceiro! E era. Eu fiquei doida de raiva. Ele morava no Codozinho e ficava com a carroça perto da casa de ferragem. Eu fui lá com minha colega só me certificar e ele ficou todo sem jeito, se escondeu”. E as chaves? “Era que ele achava e ía guardando”. E as roupas, o sapato, as abotoaduras? “Tudo emprestado”.
E o amor, Alaídes, uma grande paixão, você nunca teve? “Nunca esqueci o meu primeiro homem. Também gostei muito do caminhoneiro. Por ele eu tentei o suicídio”.
Esta é nossa Alaídes, menina travessa, menina levada. Valente guerreira, ainda não cansada de guerra. Sempre por cima, não perde a tenência, não perde a parada. Acalenta seus sonhos, constrói seus castelos... “Quero ir no Domingão do Faustão! Quero ir no Jô Soares! Quero dar entrevistas, quero fazer filmes...”
Valeu, Alaídes!! Você é LINDA sim.
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