Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
ENGODOT?
velhinhos, os dois ali no banco
um olhando para o outro
sua condição de porvir:
“na vida, há universos mais crianças...”
“como, para os futuros, outros deuses nos faremos(?)”
de antes deste verão, te buscava
na água fecunda das promessas
ou ainda delicados pés
calcinando a bolsa descartável
“cadê tua luz?”, dizia
como elemento de um discurso em cheque
águas sem fundo
príncipe das trevas
chupava o dedo no escuro
o esguicho
o berro
minhas mães me jogaram no chão
das coisas mágicas,
e minhas irmãs
acomodaram-se ao meu domínio
como conter a demanda destes dentes?
como conter o bueiro de minha mãe
te procurava ao bater a cabeça
contra a parede
vários anos se passaram
em que andei descalço
humilde, te procurava
por aquelas veredas
mais tarde passariam tropas de guerra
todavia buscando
mesmo juízo
nos tempos além
do som
dos trilhos
dos intentos,
te procurava
nos buracos te procurava
indignado, te
procurava
a grama não nasceu onde eu passava
florescia era uma notícia
da boca das cunhãs a recolhia a História
escreveram-se vários livros e megabytes
eu estava vestido de Rei,
e te procurava
(...)
(p.33-34)
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