Data de Publicação: 29 de novembro de 2005
Esta edição do Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante é uma
homenagem a um Poeta que, chegado à casa dos 70, tem a felicidade de escrever um poema sobre São Luís tão belamente inspirado que, indiscutivelmente, fecha um ciclo de poemas longos sobre o amor e a paixão pelas raízes telúricas.
Ressaltem-se as obras anteriores Tropicália,Consumo&Dor, de Bandeira Tribuzi; Os Telhados, Os Canhões do Silêncio e Maré/memória, de José Chagas; e Poema Sujo, de Ferreira Gullar, obras e autores com os quais Nauro Machado celebra intimidade com Pão Maligno com Miolo de Rosas.
É verdade, o poeta Nauro Machado fecha um ciclo geracional de poemas sobre São Luís e abre várias portas para outros ciclos acontecerem. Que os jovens poetas se apercebam disso e não percam a oportunidade de aproveitar esse momento histórico, divisor de águas, no panorama da Literatura Maranhense.
Este longo poema se constitui num grande concerto ou sinfonia que dá pistas para várias possibilidades e saídas no campo da criação literária. Quiçá as Universidades aproveitem este texto monumental para estudos, reflexões e indagações.
Diferente das estratégias de ou-tros poemas seus, mais de cunho metafísico, aqui o poeta põe os pés no chão e resolve escolher como matéria de análise o tempo presente de sua própria vida e da São Luís dos anos 50 para os dias atuais.
Para a invenção desse poema autobiográfico, o poeta cria uma teia labiríntica que começa a ser tecida e destecida na noite negra da alta sociedade ludovicense, passando pela crítica dos equívocos literários.
Como Dante Alighieri, na Divina Comédia, Nauro Machado desce aos círculos do inferno das Letras, como o Ulisses da Odisséia, para dizer aos mortos em vida que a imortalidade só é permitida àqueles capazes de sobreviver através do texto.
Na última parte do poema, a poesia naureana chega ao estágio de purificação. Parece que o poeta está procurando fazer com que a poesia retorne ao seu estado puro. Assim, o poema, mais que qualquer outro, confere a Nauro Machado sua verdadeira identidade de filho da Ilha Rebelde que, a partir desta obra, deverá ser lembrado como autor de um dos mais verossímeis e pungentes poemas sobre a cidade-ilha de São Luís.
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