Data de Publicação: 28 de novembro de 2005

No próximo dia 17 de fevereiro (quinta-feira), no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, o Instituto Maria Aragão – IMA dará prosseguimento à sua 2ª Semana Político-Cultural, com um seminário que tem por emática “Alimentação – Direito Humano Fundamental”.
A programação, que se estenderá até sábado, teve início em 10 de fevereiro, no Memorial Maria Aragão, com o lançamento de uma Revista Especial em tributo à médica e militante comunista Maria José Camargo Aragão pelos seus 95 anos de nascimento, ocasião em que a cantora maranhense Mundinha Araújo interpretou “Caçador de Mim” (Magrão e Sá), do repertório de Milton Nascimento.
Na abertura, a presidente do IMA, Ironildes Vanderlei, falou sobre os quatro anos do IMA. “Comprometido com a luta contra as desigualdades sociais, o Instituto, ao ser fundado, em 9 de fevereiro de 2001, assumiu o desafio de ser um marco de referência política no Maranhão com a responsabilidade de contribuir para a construção de uma nova sociedade”, ressaltou.
Lembrou ainda que, no decorrer de militância de Maria Aragão, não houve um só episódio importante na história política do Maranhão, que não contasse com a sua participação. “Desde a greve de 1951, passando pelas manifestações dos estudantes, dos camponeses, dos operários, dos médicos, das mulheres, dos professores e pelas mobilizações, visando a anistia e as eleições diretas, apenas para citar algumas, a figura dela se fez presente”.
Também discursaram Cibele Lauande, representando o prefeito Tadeu Palácio; Gutemberg Araújo, presidente da Sociedade Médica do Maranhão; Lúcia Holanda, psicóloga que fez da militante comunista tese de mestrado, e Luís Carlos Prestes Filho, que, em 1997, intermediou – junto com a mãe, Maria Prestes – o encontro de fundadores do IMA com Oscar Niemeyer, projetista do Memorial. Por último, Sebastião Rodrigues, um dos filhos da homenageada, agradeceu em nome da família.
Empenhado na proposta de dar continuidade à luta de Maria Aragão em defesa dos direitos e da dignidade do ser humano, o Instituto tem difundido os valores que Luís Carlos Prestes a ela atribuiu, numa carta enviada por ocasião do seu aniversário, em 1988:
“(...) é a personificação da dedicação ao seu povo, capaz de todos os sacrifícios e que, consciente e orgulhosamente, se entrega a todas as tarefas, segura sempre de estar contribuindo para a felicidade, para a liberdade, o progresso e o bem-estar de seus concidadãos.”
ARTE COM FOMENo Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, as palestras e debates ocorrerão nos dias 17 e 18, tendo como convidados o Dr. Patrus Ananias, Mi-nistro de Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar, e o Dr. Luís Flávio Valente, Médico e Coordenador de Projetos da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos-ABRANDH.
Segundo Ironildes, a 2ª Semana Político-Cultural integra as ações da entidade, no sentido de criar e dinamizar espaços de formação do pensamento crítico em torno da conjuntura social e política nacional e internacional, contribuindo com o processo de educação para a cidadania no Maranhão.
Como instrumentos de trabalho e reflexão, o cinema, a fotografia e a música irão nortear os debates durante o seminário, destacando-se a exibição do filme Josué de Castro – Cidadão do Mundo e uma exposição de fotografias homônima. Lúcia Nascimento, tesoureira-adjunta do IMA, acrescenta que a 2ª Semana abrirá um espaço aos interessados para informação, troca de idéias e aprofundamento dessa tão essencial questão – o direito à alimentação.
Adverte, porém, que o tema não se refere apenas à necessidade de saciar a fome. “Trata-se de uma dimensão bem mais ampla, que é o alimento na pers- pectiva nutricional e toda sua repercussão na qualidade de vida e na dignidade do ser humano”.
Ou seja: a fome adquire um caráter sócio-político e o seu combate incorpora ideais de Maria Aragão, que também viveu momentos difíceis, ainda criança, quando ingeria apenas um ralo mingau de farinha seca para ir à escola, ou quando interrompeu o curso de Medicina no Rio de Janeiro por causa da má alimentação – às vezes só pão e banana. A fome de Maria prevaleceria como fome de justiça social.
CARTA NA MESANo dia 19 de fevereiro, haverá uma Mesa Redonda, coordenada pelo Pe. Victor Asselin, com a participação de Maria Ozanira, coordenadora do Programa de Pós-Graduação de Políticas Públicas da UFMA; Franklin Douglas, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional-CONSEA/MA; Maria Bruzaca, presidente do Conselho Municipal de Se-gurança Alimentar e Nutricional de São Luís-CONSEA/SLZ, e Ricarte Santos, membro do Fórum Maranhense de Se-gurança Alimentar.
Após a Mesa Redonda, será elaborada a Carta de São Luís, com propostas e reivindicações dos representantes de entidades sociais, especialistas e convidados que participaram da 2ª Semana Político-Cultural do IMA.
Para coroar a programação, será realizado às 21 horas, no Teatro Alcione Nazareth, o show Elas Cantam Maria, um encontro de cantoras maranhenses, executando um repertório inspirado no sonho de igualdade defendido pela militante comunista. Estarão lá Ana Cláudia, Mustafar, Cecília Leite, Fátima Passarinho, Célia Leite, Ângela Gullar, Mundinha Araújo e Rosa Reis.
Vale registrar: a presidente do IMA, no encerramento do seu discurso de abertura da 2ª Semana Político-Cultu-ral, ofereceu a Maria Aragão estes belos versos de Walt Whitman:
“Hei de plantar o companheirismo
denso como o arvoredo a margear
todos os rios da América
e ao longo das margens dos grandes lagos
e pelos prados todos
farei cidades inseparáveis
umas com os braços nos ombros das outras”- Próximo texto:
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