Anuário #03 - São Luís, 2005
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A Fome de Maria
Editorial
Galeria de Anônimos Ilustres
Uma volta no Lado Selvagem

Edição 99

Editorial

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Data de Publicação: 28 de novembro de 2005
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Um marco na história da realidade político-social maranhense foi a personalidade marcante da médica e comunista Maria José Camargo Aragão, falecida em 23 de julho de 1991. Sem dúvida, uma ativista marcante que, para o Maranhão, é correspondente às figuras de Carlos Prestes e Josué de Castro no cenário nacional. Esta abertura é para dizer que, decorridos 14 anos de sua viagem para o andar de cima, nada se perdeu de sua saudosa memória.

Entre 17 e 19 de fevereiro, o Instituto Cultural Maria Aragão realizará a 2a Semana Político-Cultural do Instituto Maria Aragão, acontecimento que, se-gundo o poeta e compositor Cesar Tei-xeira, coloca os patrocinadores da fome maranhense no banco dos réus.

Em três dias, o evento lembra um precedente brasileiro, na área de cultura, que aconteceu em São Paulo, em 1922, a Semana de Arte Moderna.

Tendo um caráter de cunho sócio-político, o Seminário Alimentação-Direito Humano Fundamental provocará uma reflexão sobre o trato que os administradores da coisa pública maranhense dão ao ser humano. É uma oportunidade histórica de ler a geopolítica da fome, miséria e homens caranguejos do Maranhão, sem precisar recorrer às páginas das obras Geopolítica da Fome e Homens Caranguejos, de Josué de Castro. O Maranhão, infelizmente, ainda é o retrato mais expressivo do Brasil dos anos 60 e 70.

Como extensão da Semana se soma uma programação cultural em homena-gem aos 95 anos da médica e militante comunista de saudosa memória. Vê-se por aí que o Instituto Maria Aragão, como o Jornal Pequeno, é uma das poucas instituições de resistência aos resquícios da Monarquia que, neste País, ainda tem marcas profundas oligárquicas e nepotistas, principalmente no Nordeste.

A página de cinema traz um original texto do crítico de cinema Vicente F. Júnior, enriquecido pela bela canção Walk on the side, de Lou Reed. Vicente faz análise do filme Uma Volta no Lago Selvagem que recria o universo da canção tema. É uma leitura dos avanços libertários do microcosmo dos travestis e o espaço social underground francês em que transitam.

Em Galeria de Anônimos Ilustres, a professora e escritora Dinacy Corrêa viaja com Gilberto Moraes pelo universo da curtição notívaga maranhense. sobretudo dos anos 70 para começo dos 80. É um depoimento memorialístico, sem dúvida instigante, capaz de contribuir para compor um capítulo que tenta regatar uma época em que o point da juventude sanluisense era o Baixo Leblon.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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