Data de Publicação: 28 de novembro de 2005
Aos oitenta e dois anos de idade, o poeta Nascimento Morais Filho é um dos
raros sobreviventes de uma geração de poetas que ainda hoje são referenciais da melhor poesia maranhense do século XX. Diga-se: geração de excelentes e poucos excepcionais poetas.
Contam-se, entre esses, Manoel Caetano Bandeira de Mello, Oswaldino Marques, Bandeira Tribuzi, Ferreira Gullar, José Chagas e Nauro Machado.
A obra literária do escritor Nascimento Morais Filho, em particular, credita-o como poeta, ensaísta, pesquisador e folclorista.
Constam de sua bibliografia de ensaísta e folclorista as obras Pé de Conversa, O que é o que é e Esperando a Missa do Galo.
Pesquisador incansável, ele descobriu e editou escritores inéditos, como a romancista e poeta Maria Firmina dos Reis, autora do romance Úrsula, considerado o primeiro romance brasileiro. Do jornalista e escritor Inácio Rafael de Carvalho deu a lume a obra Guerra dos Bentivis.
Poeta citado entre os melhores de sua geração, são de sua autoria Clamor da Hora Presente, A Esfinge do Azul e Azulejos.
Apesar da grande repercussão das obras inaugurais de Nascimento Morais Filho, aquela que o coloca entre os melhores poetas brasileiros do século XX é Azulejos, livro revolucionário, do ponto de vista da criação literária, no mais amplo sentido.
Em Azulejos, o poeta subverte a sintaxe e a ortografia convencionais, viola os sinais de pontuação e introduz na Literatura Brasileira a prática de iniciar sentenças e nomes próprios com letras minúsculas.
Obra radicalmente inovadora, Azulejos é escrita em linguagem nonsense e transracional, ou seja, um poema-romance escrito pelo automatismo de um não-protagonista ou não-autor, por se tratar de uma criança que não pode ter consciência do universo de que fala.
Para pôr em prática essa linguagem dos primeiros anos da infância, Nascimento Morais Filho consegue, da maturidade, transportar-se, mentalmente, para o estado de espírito da criança que mantém viva em sua alma.
Esta edição, que encerra o terceiro ano Guesa Errante, apresenta, além de estudos críticos sobre Nascimento Morais Filho, uma entrevista que o poeta concedeu ao jornalista e escritores.
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