Data de Publicação: 24 de novembro de 2005

Quando há uma semana saíram os indicados ao Oscar 2002, premiação que muitos se apressam em afirmar como a maior do cinema mundial, fiquei muito surpreso pela incrível má qualidade dos filmes elencados como os melhores do ano pelos conceituados membros da academia. O grande favorito, com 13 indicações, O Senhor dos Anéis, uma superprodução comercial que fez enorme sucesso de público nem chega a ser um filme mediano. Os outros indicados foram apenas o burocrático e correto Uma Mente Brilhante, o pelo menos corajoso e visionário musical Moulin Rouge, um videoclip refinado, Entre Quatro Paredes, drama que muitos afirmam ser apenas razoável e o novo de Robert Altman, um diretor repetitivo e cansativo, que a crítica especializada adora.
Com essas indicações podemos chegar a afirmar algumas coisas: que o cinema realmente passa por um período difícil; que virou uma indústria e esses prêmios e festivais não podem ser levados tão a sério; ou ainda a mais correta de todas: que o cinema americano, que há muito não produz algo razoável, tente com o Oscar e muito marketing mostrar ainda que possui o melhor cinema mundial. Esse é o maior perigo de uma premiação como essa: tentar afirmar para adolescentes que começam a gostar da Sétima Arte que tais filmes são bons e importantes.
Mas só os bastantes inflexíveis não percebem que Hollywood é hoje uma indústria falida culturalmente. Tanto é que em festivais internacionais raramente um filme americano vence. Enquanto isso, é possível também ver que o cinema de outras nacionalidades cada vez mais ganha força, público, e qualidade, inclusive nos Estados Unidos, onde as produções estrangeiras (caso de O Fabuloso Destino de Amelie Poulan) e as refilmagens de sucesso (caso de Vannila Sky) são ovacionadas com boa crítica.
Não se deixe enganar pensando que Titanic ou Gladiador sejam filmes que vão marcar a história do cinema. Eles são apenas coadjuvantes. Só fazem funcionar a máquina. O cinema cresce como arte verdadeira com filmes muito mais discretos e importantes, que no futuro serão lembrados muito mais, tais como a cinematografia atual do cinema iraniano, o falecido cineasta polonês Kristof Kieslowski, ou o já consagrado cineasta austríaco Michael Haneke.
É, pois, assim que nos lançamos numa competição comercial de proporções colossais sem nos darmos conta de sua iminência à Sétima Arte. Só por curiosidade: alguém se lembra dos cinco filmes que ganharam o Oscar nos últimos cinco anos?
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