Anuário #01 - São Luís, 2003
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Ano I

APRESENTAÇÃO

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Data de Publicação: 24 de novembro de 2005
Graças à herança do espírito libertário do saudoso jornalista José Ribamar Bogéa, que

sempre pugnou pela liberdade de expressão jornalística e artística, a publicação deste

Anuário se tornou uma realidade incontroversível.

Graças também ao crédito de patrocinadores que apostaram na importância e necessidade da existência de um periódico do porte do Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante, desde o início, foi possível assumir o compromisso de colocá-lo à disposição dos leitores por um ano consecutivo, em busca de fazer jus à cultura literária de Gonçalves Dias, João Lisboa, Aluízio Azevedo, Henriques Leal, Gomes de Sousa, Sousândrade, Odorico Mendes, Graça Aranha, Nascimento Moraes, Erasmo Dias, Oswaldino Marques, Mário M.Meireles, Josué Montello, Ferreira Gullar, José Louzeiro, Lucy Teixeira e Nauro Machado.

Agradecemos, pela ordem de adesão ao projeto inicial do Suplemento Guesa Errante, criado em 3 de março de 2002 e editado até o dia 03 de março de 2003, com um total de 53 edições, à Faculdade Santa Terezinha -Cest/Apae, à Faculdade Athenas Maranhense-Fama, Eletronorte, Alumar, Telemar e Supermercados Lusitana, bem como a quantos aderiram de pronto ao projeto de publicação deste Anuário.

É importante ressaltar que as edições normais do Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante foram enriquecidas por edições especiais sobre os países que se significam em Língua Portuguesa, como Portugal, Cabo Verde e Angola, intercaladas algumas vezes com reverências a datas de morte ou de nascimento de escritores consagrados como Sousândrade, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Florbela Espanca.

O Anuário Guesa Errante, Ano I, oferece uma visão panorâmica básica do projeto que o justifica: fazer o resgate da Literatura Maranhense, inserindo-a no contexto das Literaturas Brasileira, Européia e dos países de Língua Portuguesa e Espanhola.

Nas 53 edições que cobrem o espaço temporal de doze meses, procuramos sempre contextualizar a vida e as obras dos escritores maranhenses, mediante um estudo retrospectivo sobre cada assunto em que se inserem, a partir das literaturas fundadoras, passando pela Portuguesa e Brasileira.

Por exemplo, para estudarmos os decadentistas maranhenses, Maranhão Sobrinho e I. Xavier de Carvalho, e o paraibano Augusto dos Anjos, fizemos antes uma abordagem sobre obras e autores fundadores da linguagem revolucionária finissecular, virada do século XIX para o XX, o que nos arremeteu aos monges vagantes goliardos, a Edgar Alan Pöe, Baudelaire, Huyssmans, D’Annunzio, Édouard Dujardin e Lautréamont.

Cesar Teixeira, que assina as páginas relativas à cultura popular, às artes plásticas e ao teatro, tem uma postura coerente quanto à análise contextual. Aplique-se o mesmo à crítica cinematográfica de Frederico Machado, cujos textos nos põem a par do que vem acontecendo, em termos de produção, direção e atuação dos filmes nacionais e estrangeiros, dando cobertura a encontros, circuitos e festivais. Na coluna intitulada Trilha do Guesa, Vanessa Serra faz uma garimpagem das notícias culturais que envolvem geralmente o cotidiano, ao pinçar e registrar momentos conseqüentes do que acontece neste mundo globalizado.

Com 149 páginas, o Anuário reúne os textos semanais de 1 ano do Suplemento Guesa Errante. Vistos no conjunto as sucessivas edições dão aos patrocinadores a certeza de que estão investindo numa obra necessária e fundamental para um público específico, que se compõe de estudantes de nível médio e universitário, pesquisadores, professores e estudiosos de Letras, bem como escritores e críticos literários. Assim, o Anuário se torna uma obra pioneira, no gênero cultura literária, pelo que apresenta de autêntico. Visto por este ângulo, constitui prioridade para o acervo de bibliotecas públicas e particulares, sobretudo.

Para tanto, observamos os princípios que tornam uma obra de cultura literária num documento especializado, por força da normatização e do conteúdo.

Procuramos, quando necessário, proceder ao estudo dos textos, bem como apresentar sínteses de contextualização e intertextualização, do ponto de vista da crítica, teoria literária e literatura comparada.

É claro que nesse tipo de análise das opiniões oficiais, acadêmicas e universitárias nem sempre seremos aplaudidos. A unanimidade é uma utopia. Daí por que muitas teorias foram problematizadas, quando em seus sistemas fechados à polêmica, portanto dogmáticos, cartesianos, rigorosamente didático-normativos.

Sem negar a tradição e a história da cultura e da literatura do Maranhão, os textos reunidos no Anuário do Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante se propõem a fazer uma nova leitura, um novo discurso e uma nova abordagem em relação ao já dito, como algo imutavelmente definitivo, com base na ditadura das Letras, que se caracteriza pela discriminação e exceção por mero preconceito.

Este Anuário não é um compêndio irrestritamente didático, vai além, pois contesta inúmeras verdades pré-estabelecidas, como obra fundamentada, prática e aberta, cuja bibliografia contém as fontes citadas, nas próprias páginas, facilitando ao leitor um acesso mais rápido ao que pretende.

Agradecemos a Josilda Bogéa Anchieta, diretora administrativa do Jornal Pequeno, por acatar e tornar possível a criação de mais uma trincheira e tribuna de liberdade de expressão, em defesa do resgate da criação artística e preservação da memória da cultura literária maranhense, não como patrimônio exclusivo de uma minoria e de Órgãos oficiais, mas como patrimônio popular, algo muito mais abrangente, de modo que o conhecimento artístico tenha uma extensão socializada, acessível às massas, a exemplo do que já fez, com a publicação de outros suplementos literários, no Jornal Pequeno, como Sacada Cultural, editado por Cunha Santos Filho e Carlos Sebastião Silva Nina, e Acontecências, editado por Lívia Abreu.

O objetivo do Anuário é possibilitar o diálogo entre leitor e escritor, através da Literatura, buscando integrar o Maranhão no contexto literário nacional e internacional, projeto no mínimo audacioso, ambicioso e ousado para um Estado que pouco investe naquilo que se tem em conta da verdadeira vocação do maranhense, com base na tradição – a Literatura, só através da qual esta Unidade da Federação Brasileira é reconhecida de direito e de fato.

O secular descaso de autoridades governamentais e administradores culturais impuseram ao Maranhão, que chegou a ser chamado de Atenas Brasileira, uma ressaca quase insuportável. Autores publicados em uma única edição de tiragem restrita, sem normatização e com má divulgação e distribuição, em menos de 50 anos se perderam no tempo. Não há mais registro nem memória de inúmeros escritores maranhenses e de inúmeras obras fundadoras e fundamentais.

O “deixa para depois” a cultura literária e os escritores é algo crônico. Dirão alguns, Mas não estamos editando livros às dezenas? Um equívoco! Não é publicar livros como se vende banana, batata ou abacaxi na rua. Isso é até crime gastar inutilmente o dinheiro público. Estamos falando da publicação de obras de cultura literária, de textos escritos em língua de cultura.

Se não estamos integrados cultural e literariamente ao resto do Brasil, então estamos na lista negra dos miseráveis do conhecimento.

Na realidade, graças aos poderes públicos somos, ainda hoje, um Estado província em relação ao contexto literário nacional, apesar da televisão, da informática e da internet.

De um modo geral, os textos das edições do Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante, selecionados para este Anuário, são assinados por Alberico Carneiro, Cesar Teixeira, Frederico Machado e Vanessa Serra. Eventualmente, tivemos como colaboradores Cunha Santos Filho, Manuel dos Santos Neto, Aldo Leite, Beth Bittencourt, Sergio Ferretti, Fred Góes, Joãozinho Ribeiro e Joila Moraes, aos quais agradecemos penhoradamente.

A presente edição não seria possível sem o trabalho definitivo de uma equipe de execução, em permanente entrosamento e dedicação: Josilda Bogéa Anchieta, Alberico Carneiro, Cesar Teixeira, Frederico Machado, Vanessa Serra, Marcelo Araújo, Wilson Dias (Caju) e Antonio José dos Santos.

Finalmente, agradecemos a todos quantos colaboraram para o coroamento do Primeiro Ano do Guesa Errante, que se fecha com este Anuário.

Cremos apaixonadamente que o melhor da cultura literária e da obra de criação seja e esteja naquela parte que se signifique e dialogue com o público, através das funções da linguagem de maior carga de literariedade, a emotiva, a poética e a metalingüística.

Se o Anuário Guesa Errante expressa, na prática, essa mística e, de algum modo, toca os corações dos leitores, o nosso amor pelas Letras Maiores do Maranhão se amplia num abraço fraternal a todos quantos também encontram nelas uma maneira de sobrevivência através do texto.

Que esse olhar que busca captar e capturar a vida, vinda de todas as direções, no verbo, encontre a possibilidade do diálogo conectado alquimicamente a partir dos corações.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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